Economia

‎“Produção de gás doméstico no País é uma viragem estratégica para projectos de grande escala”

Moçambique inaugurou, oficialmente esta quarta-feira (03), a fábrica de processamento integrado de hidrocarbonetos, que será responsável pela produção de gás doméstico e petróleo leve, no distrito de Inhassoro, província de Inhambane, sul do País.

A cerimónia foi dirigida pelos presidentes de Moçambique, Daniel Chapo, e da África do Sul, Cyril Ramaphosa, tendo na ocasião, se sublinhando a importância estratégica do projecto para os dois países e para a região.

Avaliado em cerca de mil milhões de dólares, num investimento implementado pela petrolífera sul-africana Sasol, a unidade fabril poderá concorrer para reduzir em 75% as importações daquele produto por Moçambique.

Na ocasião, o Chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo, assinalou que com este complexo integrado, “Moçambique amplia a sua capacidade de fornecer gás, energia e derivados a economias vizinhas, a corredores de desenvolvimento regionais e a projectos industriais de grande escala”.

“Este empreendimento é mais do que uma obra física. É uma viragem estratégica, o símbolo de um País que deixou de observar os seus recursos a partir de fora e passou a transformá-los dentro de portas, com visão, ambição e sentido de soberania e independência nacional”, afirmou Chapo.

Com esta nova unidade fabril, Moçambique passa, segundo Chapo, a dispor de capacidade e tecnologia modernas de processamento, estabilização e separação de hidrocarbonetos – a base necessária para desenvolver a indústria petroquímica, fertilizantes, combustíveis líquidos, gás para a indústria e energia competitiva para o sector produtivo, entre outros produtos que vão ter gás como matéria-prima.

“Esta obra de Inhassoro é, portanto, a peça que integra, consolida e potencia toda esta cadeia energética, permitindo que Moçambique processe, valorize e distribua os seus recursos dentro do seu próprio território”, frisou.

Mais postos de trabalho

Para além de representar uma viragem para Moçambique que passa a produzir localmente o gás de cozinha, a fábrica de gás ora inaugurada em Inhassoro deverá igualmente fomentar mais postos de emprego sobretudo para os jovens.

Neste sentido, Daniel Chapo, assinalou que o empreendimento é também a expressão de um compromisso social, visto que durante a fase de construção foram gerados 1685 empregos nacionais e 120 empregos directos na fase de operação, representando mais de 80% de contratação local. “Não são apenas números, são oportunidades; formação; rendimento para as nossas famílias, para as mulheres e jovens; e esperança para o povo moçambicano.”

Com capacidade para produzir 30 mil toneladas de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL), conhecido como gás doméstico, a nova fábrica de processamento integrado está a cargo da Sasol, numa concessão de 30 anos e é resultado do Acordo de Partilha de Produção (PSA) entre Moçambique e a petrolífera.

Alimentada por 14 poços, toda a produção será tomada, na boca da fábrica, pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), o braço comercial do Estado no sector. A unidade de processamento tem igualmente capacidade para a produção de 4 mil barris de petróleo leve.

O projecto de PSA prevê igualmente a produção de 53 milhões de megajoules de gás natural por ano, que irá materializar a implementação da Central Térmica de Temane (CTT), um empreendimento que poderá estar pronta dentro de um ano e meio. A CTT terá capacidade para produzir 450 megawatts de energia eléctrica, a primeira central com aquelas dimensões construída depois da independência nacional.

(Foto DR)

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