Economia

Moçambique Classificado Como “o País Mais Arriscado de África”, PIB Revisto em Baixa e Índice PMI Subiu em Fevereiro • Diário Económico

A semana económica em Moçambique ficou marcada por indicadores relevantes: a classificação do País como o mais arriscado de África pela consultora britânica Oxford Economics, a revisão em baixa da previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 0,3% este ano e a ligeira subida do Índice de Gestores de Compras (PMI) em Fevereiro.

De acordo com a Oxford Economics, Moçambique apresenta actualmente o nível de risco mais elevado entre as economias africanas analisadas, ultrapassando mesmo o Zimbabué no índice de risco elaborado pela instituição. A consultora antevê ainda uma desvalorização do metical em cerca de 25% até ao final do ano.

Segundo o Relatório sobre o Risco dos Países Africanos, enviado aos clientes, Moçambique surge com mais de 75 pontos, a pontuação mais elevada entre as 25 economias avaliadas. O Maláui e o Zimbabué ocupam a segunda e terceira posições, enquanto Angola aparece no sétimo lugar.

No documento, os analistas escreveram que “uma desvalorização parece inevitável para o metical; um peso da dívida insustentável significa que o Governo terá de ceder às exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI)”. Acrescentaram ainda que a reforma da taxa de câmbio poderá ser uma das condições para um eventual pacote de ajuda.

Assim, os especialistas anteciparam que o metical possa perder cerca de um quinto do seu valor antes da segunda metade do ano. Esta expectativa surge num contexto de pressão financeira crescente e de necessidade de ajustamentos macroeconómicos para estabilizar a economia.

Além disso, a consultora sublinhou que a economia moçambicana enfrentou vários choques nos últimos meses. Entre os principais factores apontados estão as piores inundações das últimas décadas, o encerramento planeado da fundição Mozal e os trabalhos de manutenção na plataforma de gás Coral South FLNG.

Oxford Economics revê em baixa crescimento do PIB

Além de classificar Moçambique como o País com maior risco em África, a Oxford Economics reviu em baixa a previsão de crescimento da economia moçambicana para este ano. A estimativa passou de 2,5% para apenas 0,3%, indicando uma desaceleração significativa da actividade económica.

“Infelizmente, antevemos que a economia de Moçambique vá enfrentar mais um ano difícil em 2026”, escreveram os analistas da consultora num comentário divulgado na segunda-feira, 2 de Março, sobre os dados do PIB relativos ao último trimestre de 2025.

De acordo com o documento, “as projecções preliminares mostram que o crescimento do PIB real deverá ser de apenas 0,3% este ano, abaixo da previsão anterior de 2,5%”. A revisão confirma uma deterioração das expectativas económicas para o curto prazo.

Segundo o departamento africano da Oxford Economics, esta revisão resulta sobretudo das recentes inundações, que destruíram vastas áreas agrícolas e infra-estruturas. A par disso, pesam também o fecho anunciado da fundição de alumínio Mozal e a paragem programada da plataforma Coral Sul, operada pela Eni.

Os analistas consideram que estes acontecimentos deverão afectar negativamente as exportações, o emprego, a produção e o consumo. Como consequência, o crescimento económico poderá manter-se limitado no curto prazo, tornando a economia mais vulnerável a choques internos e externos.

Índice PMI registou subida em Fevereiro

Entretanto, dados mais recentes indicam que o ritmo de crescimento da actividade empresarial em Moçambique abrandou em Fevereiro. A desaceleração reflecte uma evolução mais lenta das novas encomendas, menor criação de empregos e um aumento mais moderado das compras por parte das empresas.

Segundo informações divulgadas pelo Standard Bank, o sector privado manteve ainda assim uma trajectória de expansão. O PMI fixou-se em 50,2 pontos em Fevereiro, ligeiramente acima do valor neutro de 50 pontos registado em Janeiro.

Este resultado indica uma melhoria marginal das condições de negócio face ao mês anterior. No entanto, o levantamento mostra que o crescimento das novas encomendas foi o mais lento dos últimos cinco meses.

As empresas inquiridas referiram que a procura por parte dos clientes continua relativamente sólida. Ainda assim, problemas de pagamento e a escassez de insumos limitaram o ritmo de crescimento das vendas durante o período analisado.

“Infelizmente, antevemos que a economia de Moçambique vá enfrentar mais um ano difícil em 2026”

Oxford Economics

Como consequência, a produção também registou apenas um aumento modesto. Mesmo assim, as empresas elevaram os níveis de actividade para responder à procura e reduzir o volume de trabalho pendente.

Apesar do abrandamento, a produção aumentou em todos os cinco sectores monitorizados pelo inquérito. Este comportamento demonstra alguma resiliência do sector privado, ainda que num contexto económico mais desafiante.

No mercado de trabalho, o estudo aponta igualmente para uma expansão do emprego em Fevereiro, embora a um ritmo mais lento pelo segundo mês consecutivo. Paralelamente, o crescimento das compras de insumos foi o mais fraco dos últimos sete meses, ainda que suficiente para permitir algum reforço dos inventários.

Texto: Florença Nhabinde

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