O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) advertiu esta quinta-feira, 23 de Abril, que as alterações climáticas estão a comprometer direitos básicos e a agravar a pobreza em Moçambique, com impacto directo em milhões de crianças.
Num comunicado, citado pela Lusa, a agência das Nações Unidas refere que os efeitos climáticos no País estão a afectar sectores essenciais como educação, saúde, água potável e saneamento.
Crianças entre os mais afectados
Segundo a UNICEF, “em Moçambique, as alterações climáticas comprometem o acesso a direitos e serviços básicos como educação, saúde, água potável, alimentação segura e saneamento adequado.”
A organização destaca que cerca de 70% das escolas estão localizadas em zonas de alto risco de cheias e ciclones, o que fragiliza o sistema educativo.
O impacto é particularmente grave para as crianças, com mais de 5,5 milhões expostas a riscos severos associados a ciclones tropicais, num universo de cerca de 16 milhões.
A UNICEF alerta ainda que estas crises estão a provocar deslocações massivas de comunidades, agravando a desnutrição e aumentando a exposição a doenças transmitidas pela água, criando um “círculo vicioso de pobreza e vulnerabilidade.”
Cheias agravam crise humanitária
A organização sublinha também os desafios no apoio a cerca de um milhão de pessoas afectadas por cheias em Moçambique, metade das quais são crianças, classificando a situação como “uma emergência profundamente centrada nas crianças”.
De acordo com o responsável pelos projectos de água, saneamento e higiene da UNICEF em Moçambique, Omar Khan, as inundações tiveram um impacto devastador nos serviços básicos. “Os sistemas de abastecimento de água ficaram submersos, latrinas colapsaram e infra-estruturas básicas de saneamento foram destruídas”, afirmou.
Face à destruição, muitas famílias passaram a recorrer a fontes de água inseguras, aumentando o risco de doenças como diarreia, sobretudo entre crianças.
A UNICEF necessita de 34 milhões de dólares nos próximos seis meses para apoiar 450 mil pessoas, incluindo 225 mil crianças, com serviços essenciais.
“Sem estes recursos, teremos de fazer escolhas difíceis sobre quem priorizar, quando todos são prioridade”, alertou Omar Khan.
A agência sublinha ainda que a educação continua subfinanciada no contexto climático global, recebendo menos de 1,5% dos fundos disponíveis, o que expõe os sistemas educativos a ciclos repetidos de destruição e recuperação.

