As autoridades na província de Sofala, região Centro de Moçambique, estão a atribuir às famílias títulos de Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT) para afastar as pessoas da zona-tampão de áreas de conservação e reduzir conflitos com animais.
“Um dos objectivos é salvaguardar a segurança, por isso estamos a identificar áreas mais distantes da zona-tampão e a atribuir os títulos de aproveitamento de terra às famílias”, afirmou a directora provincial de Desenvolvimento Territorial e Ambiente, Beatriz Dias.
Citada pela Lusa, a responsável avançou que a medida está a ser implementada numa primeira fase no distrito de Nhamatanda, abrangendo comunidades localizadas em zonas próximas de áreas de conservação e cursos de água, onde se registam frequentes ataques de animais.
“Queremos reduzir a exposição das comunidades a elefantes, hipopótamos e crocodilos, espécies que representam maior risco para as populações que vivem junto a rios e reservas. Estamos ainda a fazer o acompanhamento para garantir que estes animais regressem às suas áreas naturais”, sustentou.
De acordo com Beatriz Dias, o reassentamento em áreas seguras, com infra-estruturas básicas, é essencial para reduzir riscos e garantir melhores condições de vida às comunidades, acrescentando que o processo de atribuição de DUAT se enquadra na estratégia de ordenamento territorial e gestão ambiental.
Dados indicam que o número de mortes resultantes de ataques de animais selvagens em Moçambique atingiu as 159 em 2023, quase triplicando face ao ano anterior, de acordo com o relatório de Indicadores Básicos do Ambiente, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Segundo o documento, o número de vítimas mortais por conflitos entre humanos e fauna bravia aumentou drasticamente face a 2022, quando se registaram 58 óbitos. Em 2021, tinham sido contabilizadas 56 mortes, enquanto 2019 e 2020 registaram 42 e 97 vítimas, respectivamente.
A província de Tete foi a mais afectada em 2023, com 70 mortos, seguida da Zambézia, com 31 vítimas. Ainda de acordo com o INE, as províncias de Sofala e Nampula foram as únicas do país que não registaram óbitos no ano passado devido a este tipo de incidentes.
Desde 2019, Tete contabiliza um total de 137 mortes provocadas por ataques de animais selvagens, sendo a região com o maior número de vítimas ao longo deste período, conforme os dados históricos do relatório.
O documento destaca ainda a destruição de 1490 hectares de culturas agrícolas em 2023, consequência directa da acção de animais selvagens, sendo a província de Gaza a mais afectada, com 68,3% da área destruída, seguida de Tete, com 16,3%.
Além das mortes, o número de feridos também aumentou significativamente. Em 2023, 114 pessoas ficaram feridas em ataques de fauna bravia, um aumento face aos 70 feridos em 2022 e aos 51 em 2021.

