A primeira-ministra moçambicana, Maria Benvinda Levi, defendeu esta quarta-feira (29) a necessidade de adopção de soluções concretas e do reforço dos mecanismos de mitigação do conflito entre o homem e a fauna bravia, sublinhando que a protecção da vida humana deve prevalecer.
De acordo com a Lusa, intervindo na cerimónia de tomada de posse do novo director-geral adjunto da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), Joaquim Fernando, a governante destacou que o aumento dos incidentes envolvendo animais selvagens exige uma resposta mais eficaz por parte das instituições competentes.
“É fundamental que o sector apresente propostas claras sobre como ultrapassar esta situação. A preservação da fauna é importante, mas é ainda mais importante salvaguardar a vida humana e as condições de subsistência das comunidades”, afirmou.
Os conflitos entre populações e animais selvagens continuam a ser frequentes em várias zonas rurais do País, sobretudo nas áreas próximas de rios e durante a época chuvosa, períodos em que o risco de ataques tende a aumentar.
Na mesma ocasião, a primeira-ministra instou o novo responsável a reforçar os mecanismos de prevenção e combate a práticas ilegais nas áreas de conservação, incluindo a mineração, a caça furtiva e a exploração florestal desordenada. Defendeu igualmente a necessidade de melhorar a gestão sustentável da biodiversidade, dinamizar a avaliação e requalificação das áreas protegidas e consolidar parcerias público-privadas no sector.
Segundo Maria Benvinda Levi, espera-se que a nova liderança contribua para o fortalecimento da ANAC e para a valorização das áreas de conservação como instrumentos de desenvolvimento económico e social. “Estas áreas devem gerar benefícios concretos para as comunidades locais e para a economia nacional”, referiu.
Dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que, em 2023, o número de mortes provocadas por ataques de animais selvagens quase triplicou face ao ano anterior, atingindo 159 vítimas. No mesmo período, cerca de 205 375 pessoas viviam no interior de áreas protegidas, distribuídas por 162 comunidades, enquanto 501 737 residiam em zonas tampão adjacentes, em 504 comunidades.
Informações da ANAC apontam ainda que, entre 2019 e 2023, ataques de fauna bravia resultaram na destruição de 955 hectares de culturas agrícolas, incluindo milho e mandioca, agravando a insegurança alimentar em várias regiões.

