BdM: BCI Fechou Março Com Quase 15% do Crédito em Incumprimento • Diário Económico

Depois de ter fechado 2025 com uma queda acentuada nos lucros, o Banco Comercial e de Investimentos (BCI), o maior do País em activos, crédito e depósitos, e liderado pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), encerrou o mês de Março com quase 15% do crédito concedido em situação de incumprimento. Outros bancos do sistema financeiro nacional continuavam igualmente acima do rácio de 5% recomendado pelo regulador.

Segundo a Lusa, os dados constam do relatório do Banco de Moçambique (BdM) sobre os Indicadores Prudenciais e Económico-Financeiros de Janeiro a Março, divulgado esta quinta-feira (28). O BCI registou um rácio de crédito em incumprimento (Non-Performing Loans – NPL) de 14,47%, acima dos 14,18% observados no trimestre anterior.

Apesar do agravamento do incumprimento, o BCI reforçou o rácio de cobertura para 21,03%. Já o Millennium bim, outro dos maiores bancos do País e detido pelo português Banco Comercial Português (BCP), reduziu o rácio de NPL para 2,37%, contra 2,69% registados no trimestre anterior.

O Millennium bim, que tal como o BCI possui mais de dois milhões de clientes, apresentou ainda um rácio de cobertura de 86,57%. O relatório do BdM revela igualmente mudanças significativas no desempenho do antigo Ecobank Moçambique.

No terceiro trimestre de 2025, o Ecobank apresentava 78,54% do crédito concedido em incumprimento. Entretanto, o FDH Bank, do Maláui, concluiu no final de Setembro a aquisição do Ecobank Moçambique, passando a controlar uma quota de 98,87%.

Desde 20 de Fevereiro deste ano, a instituição passou oficialmente a designar-se FDH Bank Moçambique. O banco fechou o último trimestre de 2025 com um rácio de NPL de 1,62%, sem qualquer explicação no relatório para esta redução, voltando a reduzir este indicador para 1% até Março.

O FDH Bank Moçambique apresentou ainda um rácio de cobertura de 86,81%. Já o Moza Banco reduziu o crédito malparado de 29,21% para 27,58% até Março, acompanhado de um rácio de cobertura de 36,42%, enquanto o Access Bank manteve o registo de 6,96%.

O relatório, elaborado com base em dados fornecidos pelas próprias instituições financeiras, indica ainda que o First National Bank (FNB), o Standard Bank, o First Capital Bank (FCB) e o Absa Bank Moçambique permaneceram dentro do parâmetro recomendado, abaixo de 5%, com rácios de 4,66%, 0,64%, 1,66% e 4,15%, respectivamente.

O BdM já havia alertado para a deterioração da carteira de crédito da banca nacional, indicando que o rácio de NPL subiu de 8,23% para 9,32% em 2024, “continuando acima do limite máximo de 5,0%, convencionalmente aceite”. O banco central acrescentou que o crédito em incumprimento totalizou 30,41 mil milhões de meticais, equivalentes a 412 milhões de euros, um aumento de 12,88%.

Actualmente, Moçambique conta com 15 bancos comerciais e 12 microbancos, além de cooperativas de crédito e organizações de poupança e crédito.

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