O Banco de Moçambique (BdM) triplicou os prejuízos no ano passado, que atingiram 13,3 mil milhões de meticais (179,2 milhões de euros), num contexto marcado pelo aumento do financiamento ao Estado, segundo o relatório da Forvis Mazars, que acompanhou as demonstrações financeiras de 2025, citado pela Lusa.
De acordo com o documento, o agravamento dos resultados reflecte sobretudo a deterioração da margem financeira. Esta passou de um resultado positivo de 3,4 mil milhões de meticais (45,7 milhões de euros) em 2024 para um valor negativo de 1,3 mil milhões de meticais (17 milhões de euros) em 2025, uma variação de 137,4%.
Ao mesmo tempo, os gastos operacionais aumentaram 29,4%, fixando-se em 17,9 mil milhões de meticais (240 milhões de euros). A subida foi impulsionada essencialmente pelos custos com pessoal e por outros encargos operacionais.
Por outro lado, o total de rendimentos registou uma queda de 53,2%, para 4,5 mil milhões de meticais (60,7 milhões de euros). O valor corresponde a menos de metade dos 9,6 mil milhões de meticais (129,7 milhões de euros) registados em 2024.
Segundo o relatório, esta redução dos rendimentos reflecte a diminuição das receitas associadas à actividade financeira do banco central. O desempenho contribuiu para o agravamento dos resultados financeiros registados durante o exercício de 2025.
No balanço, do lado do passivo, a principal rubrica continua a ser a emissão de instrumentos monetários do Estado, nomeadamente Bilhetes do Tesouro. Estes ascenderam a 530,9 mil milhões de meticais (7,1 mil milhões de euros), mais 75,2% do que os 303,1 mil milhões de meticais registados em 2024.
O relatório evidencia igualmente a forte exposição do banco central às operações de política monetária e ao financiamento do Estado. Os créditos e adiantamentos concedidos ao Governo representaram cerca de 14% do total do activo e aumentaram 35,9%, para 137,7 mil milhões de meticais (1,8 mil milhões de euros) no último ano.
No conjunto do balanço, o activo do BdM cresceu 26,5% em 2025, atingindo 976,7 mil milhões de meticais (13,1 mil milhões de euros), face aos 771,9 mil milhões de meticais (10,4 mil milhões de euros) do ano anterior, com destaque para o aumento dos activos financeiros ao custo amortizado e de outras rubricas associadas à política monetária.
