Semana Económica: BdM Mantém Juros, BAD Prevê Retoma e GNL Reforça Peso de Moçambique • Diário Económico

A semana económica em Moçambique ficou marcada pela manutenção da taxa de juro directora pelo Banco de Moçambique (BdM), pelas novas projecções de crescimento económico avançadas pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e pelo reforço da posição estratégica do País no mercado africano de gás natural liquefeito (GNL). Os desenvolvimentos surgem num contexto de agravamento das incertezas externas, de pressão sobre a inflação e de expectativa em torno da recuperação gradual da economia nacional.

O BdM decidiu manter, pela segunda reunião consecutiva, a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 9,25%, numa altura em que aumentam os riscos associados à inflação e às tensões geopolíticas internacionais. A decisão foi anunciada esta semana pelo governador do banco central, Rogério Zandamela, após a reunião do Comité de Política Monetária (CPMO).

Segundo o banco central, a manutenção dos juros resulta do agravamento das incertezas externas, particularmente ligadas ao conflito no Médio Oriente, cujos efeitos continuam a pressionar os preços internacionais dos combustíveis e alimentos, além de afectarem as cadeias logísticas globais. A autoridade monetária alertou igualmente para o aumento dos riscos inflacionistas. Em Abril de 2026, a inflação anual acelerou para 4,4%, acima dos 3,4% registados em Março. O BdM admitiu que, dependendo da evolução dos choques externos, a inflação poderá voltar a atingir níveis de dois dígitos no curto e médio prazo.

Além dos factores internacionais, o banco apontou constrangimentos internos que continuam a limitar o desempenho económico, incluindo atrasos no pagamento da dívida pública e os impactos das inundações registadas no primeiro trimestre do ano.

BAD prevê recuperação gradual da economia

Paralelamente, o Banco Africano de Desenvolvimento prevê uma recuperação gradual da economia moçambicana nos próximos dois anos. Segundo o relatório Perspectivas Económicas Africanas, divulgado esta semana em Brazzaville, República do Congo, o Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique deverá crescer 2,1% em 2026 e acelerar para 3,5% em 2027.

A instituição financeira considera que a recuperação será impulsionada sobretudo pelo sector extractivo, pelo aumento do investimento e pela retoma do consumo privado. O BAD prevê igualmente uma desaceleração da inflação para 5,7% no período entre 2026 e 2027, alinhada com o objectivo do BdM de manter a inflação em níveis de um só dígito.

Apesar das perspectivas de crescimento, o relatório alerta para o agravamento do défice orçamental e da conta corrente, num cenário marcado pelo aumento das importações associadas aos projectos de gás natural liquefeito e de mineração. Entre os principais riscos identificados pelo BAD estão os choques climáticos, a instabilidade política, o conflito armado em Cabo Delgado e as tensões no comércio internacional. Ainda assim, a instituição considera que o reforço da governação económica e o investimento em resiliência climática poderão mitigar parte destes desafios.

Schneider Electric destaca Moçambique no mercado africano de GNL

No sector energético, Moçambique voltou igualmente a ganhar destaque internacional. A multinacional Schneider Electric identificou o País como um dos principais protagonistas africanos do mercado de GNL, numa fase em que África reforça o seu peso no fornecimento global de energia.

Segundo a empresa, o período entre 2026 e 2028 deverá marcar uma nova etapa de expansão da indústria mundial de GNL, impulsionada pelo aumento da procura energética na Europa e na Ásia e pela necessidade de diversificação das fontes de abastecimento. A análise da Schneider Electric coloca Moçambique ao lado de Nigéria e Angola entre os países africanos que lideram o crescimento do sector no continente. A empresa sublinha que o País detém algumas das maiores reservas de gás natural em África, localizadas sobretudo na bacia do Rovuma, em Cabo Delgado.

A multinacional considera ainda que o futuro da indústria dependerá cada vez mais da capacidade de os operadores integrarem soluções digitais, sistemas inteligentes e plataformas de análise operacional capazes de melhorar a eficiência, a segurança e o controlo de custos. Ao mesmo tempo, o sector financeiro digital registou um desenvolvimento inédito no País.

Texto: Florença Nhabinde

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