Sector Privado Defende “Aceleração do Investimento” Digital Para Impulsionar Economia Inclusiva • Diário Económico

O vice-presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Amâncio Gume, defendeu esta quinta-feira, 18 de Junho, a aceleração dos investimentos em infra-estruturas digitais para impulsionar a competitividade e a inclusão económica do País, durante o Fórum de Convergência Tecnológica 2026, organizado pela Elevate Communications & Technologies sob o lema “Construindo uma Infra-estrutura Resiliente para uma Economia Digital Inclusiva”.

Na sua intervenção, Amâncio Gume afirmou que o principal desafio já não é decidir se a economia será digital, mas garantir que Moçambique esteja preparado para competir num mundo cada vez mais tecnológico. Segundo o responsável, a economia digital já representa mais de 15% do Produto Interno Bruto mundial e cresce a um ritmo superior ao da economia tradicional.

Para o dirigente da CTA, Moçambique reúne condições favoráveis para beneficiar desta transformação, graças à sua população maioritariamente jovem, à crescente adopção de serviços digitais e à sua localização estratégica, factores que podem posicionar o País como uma plataforma digital regional.

Apesar deste potencial, Amâncio Gume reconheceu a existência de obstáculos que continuam a travar o desenvolvimento do sector. Entre eles, destacou os elevados custos de conectividade, as desigualdades no acesso à Internet entre zonas urbanas e rurais, a instabilidade no fornecimento de energia e as dificuldades enfrentadas pelas pequenas e médias empresas para adoptar tecnologias que aumentem a sua produtividade.

Ainda assim, defendeu que estes desafios devem ser encarados como oportunidades de investimento e crescimento económico. “Cada nova ligação à Internet representa um novo empreendedor ligado ao mercado. Cada quilómetro de fibra óptica instalado representa novas oportunidades de negócios”, afirmou Amâncio Gume.

O responsável acrescentou que as infra-estruturas digitais devem ser tratadas como infra-estruturas económicas estratégicas, ao mesmo nível das estradas, portos, caminhos-de-ferro e sistemas de energia, por serem essenciais para a criação de emprego, aumento da produtividade e expansão dos negócios.

Por sua vez, o director-geral da Elevate Communications & Technologies, Sérgio dos Céus Nelson, explicou que o fórum foi concebido como uma plataforma de diálogo entre o Governo, o sector privado, a academia e os parceiros de desenvolvimento, com o objectivo de encontrar soluções para os desafios tecnológicos que Moçambique enfrenta. Segundo Sérgio dos Céus Nelson, a transformação digital tornou-se uma questão de soberania nacional e exige uma convergência de esforços entre todos os intervenientes.

“Cada nova ligação à Internet representa um novo empreendedor ligado ao mercado. Cada quilómetro de fibra óptica instalado representa novas oportunidades de negócios”

Amâncio Gume

Na abertura do evento, a secretária permanente do Ministério das Comunicações e Transformação Digital, Nilza Miquidade, reafirmou o compromisso do Governo com a modernização do Estado e a expansão da economia digital. Entre as iniciativas em curso, destacou a expansão da rede de fibra óptica, dos centros multimédia comunitários, das praças digitais e do acesso à Internet nas escolas.

Por seu turno, o director central da Direcção de Canais Electrónicos do BCI, Arafat Mohamed Bique, considerou que a construção de uma infra-estrutura digital resiliente é fundamental para reforçar a confiança, a competitividade e a inovação no País. Segundo o responsável, a transformação digital desempenha um papel determinante no desenvolvimento económico e social, razão pela qual o banco continua a apoiar iniciativas que promovem o conhecimento, a inovação e a cooperação entre os diferentes sectores.

Arafat Mohamed Bique defendeu ainda que o futuro pertence às instituições que conseguirem combinar inovação, segurança e confiança nos seus processos de digitalização.

O Fórum de Convergência Tecnológica 2026 reuniu representantes do Governo, sector financeiro, empresas tecnológicas, investidores, académicos e parceiros internacionais para discutir formas de reforçar a infra-estrutura digital do País e promover investimentos capazes de garantir uma economia mais inclusiva, resiliente e preparada para os desafios da transformação tecnológica.

Texto: Florença Nhabinde

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