Moçambique perdeu cerca de cinco mil hectares de mangal em 2024, um dos níveis mais elevados registados nos últimos anos, sobretudo devido ao impacto de eventos climáticos. Segundo os dados sobre os dez anos de monitorização do desmatamento no País, a degradação destes ecossistemas continua a exigir medidas de protecção e gestão mais eficazes.
“O maior pico de perda de mangal registou-se primeiro em 2019 e o último em 2024, numa tendência associada ao aumento da frequência e intensidade dos fenómenos climáticos”, avançou Hercílio Odorico, membro da Unidade de Monitoria, Reporte e Verificação, durante a apresentação do estudo.
Intervindo em Maputo, no decorrer da Conferência Técnica sobre Monitoria, Reporte e Verificação (MRV) e Implementação do Sistema Nacional de Gestão de Dados sobre Mangais e Ervas Marinhas, o especialista afirmou que as províncias de Niassa, no norte de Moçambique, Zambézia e Manica, no Centro, foram as que mais contribuíram para a perda de cobertura florestal nos últimos anos, reflectindo uma pressão crescente sobre os recursos naturais e a necessidade de trabalhos direccionados para as áreas mais afectadas.
O especialista disse que a Unidade de Monitoria, Reporte e Verificação utiliza imagens de satélite e metodologias validadas internacionalmente para acompanhar a evolução do desmatamento, dispondo actualmente de dados históricos que permitem identificar onde, quando e por que razões ocorre a perda de cobertura vegetal em Moçambique.
Por sua vez, o coordenador da Unidade de Monitoria, Reporte e Verificação, Aristides Muhate, defendeu que a produção de dados científicos é fundamental para apoiar políticas públicas, orientar investimentos e reforçar a capacidade do País para responder aos desafios das alterações climáticas.
O responsável salientou que Moçambique possui cerca de 2700 quilómetros de costa, cuja protecção deve ser conciliada com os objectivos de desenvolvimento económico do País, defendendo uma gestão sustentável dos recursos naturais baseada em informação credível e actualizada.
Muhate alertou que os eventos climáticos estão a tornar-se cada vez mais intensos e mais frequentes, aumentando os impactos sobre as comunidades e os custos associados à resposta a cheias, inundações e outros desastres naturais.
“É importante e imprescindível apostarmos nestas tecnologias, porque vão ajudar-nos a resolver problemas, decidir onde restaurar ecossistemas, conservar áreas-chave para a biodiversidade e promover actividades económicas com menor impacto ambiental”, concluiu.
