O Governo garantiu esta quinta-feira (18), em Maputo, que vai acelerar a implementação de reformas destinadas a melhorar o ambiente de negócios, atrair mais investimento privado e reforçar a competitividade da economia moçambicana.
A garantia foi dada pelo ministro da Economia, Basílio Muhate, na abertura da 20.ª edição do Economic Briefing, promovida pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), fórum que reúne representantes do sector público e privado para analisar o desempenho da economia nacional e discutir medidas para impulsionar o crescimento económico.
Na sua intervenção, o governante destacou que, apesar dos desafios internos e externos que continuam a afectar a actividade económica, os indicadores do primeiro trimestre de 2026 revelam sinais encorajadores de resiliência da economia moçambicana. “Os dados que foram apresentados mostram que, mesmo perante desafios internos e externos, a economia moçambicana continua a demonstrar sinais encorajadores do ponto de vista do Governo”, afirmou.
Segundo Basílio Muhate, o País continua a enfrentar um contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, volatilidade dos preços dos combustíveis, perturbações nas cadeias logísticas e incertezas nos mercados globais. Ainda assim, considerou que Moçambique tem demonstrado capacidade de adaptação e resistência.
No comércio externo, o ministro destacou que o País registou um saldo positivo de 114 milhões de dólares no primeiro trimestre, resultado impulsionado pelo crescimento das exportações e pela redução das importações. “Este resultado mostra que Moçambique está a reforçar a sua capacidade produtiva, a gerar mais divisas e a consolidar a sua presença nos mercados regionais e internacionais”, referiu.
O governante avançou igualmente que foram aprovados 66 projectos de investimento avaliados em mais de 568 milhões de dólares, com potencial para criar mais de 13 mil postos de trabalho. “Por detrás destes números existem fábricas, empregos, oportunidades para a nossa juventude e maior dinamização das economias locais”, sublinhou.
“O desafio que temos pela frente é transformar esta recuperação gradual numa trajectória consistente de crescimento, industrialização e criação de emprego.”
Basílio Muhate – ministro da Economia
Basílio Muhate destacou ainda o desempenho do sector do turismo, que contabilizou a entrada em funcionamento de 44 novos empreendimentos durante o primeiro trimestre, contribuindo para a criação de centenas de empregos e reforçando a confiança dos investidores no potencial turístico do País.
Apesar dos resultados positivos, o ministro reconheceu que persistem desafios relevantes para a economia nacional, nomeadamente as pressões inflacionistas associadas ao aumento dos preços dos combustíveis, a escassez de divisas e o elevado nível da dívida pública. Segundo explicou, a inflação anual atingiu 4,4% em Abril, acima dos 3,4% registados em Março, embora continue em níveis considerados moderados.
O governante referiu igualmente que o Executivo está a trabalhar para melhorar a gestão da dívida pública, incluindo os pagamentos em atraso a fornecedores do Estado, com prioridade para as pequenas e médias empresas mais afectadas por constrangimentos de tesouraria.
No âmbito das reformas económicas, Basílio Muhate destacou a inauguração recente do posto de atendimento ao investidor no Parque Industrial de Beluluane e o avanço de medidas destinadas à simplificação de procedimentos administrativos e à redução dos custos de contexto para as empresas. “Estamos igualmente a promover a elaboração de um plano de acção para a melhoria do ambiente de negócios, que irá orientar uma nova geração de reformas destinadas a aumentar a competitividade da economia, atrair mais investimento e fortalecer o sector privado”, afirmou.
O ministro reiterou que a estratégia do Governo passa pela transformação estrutural da economia através da industrialização, da inovação, da digitalização e do fortalecimento do sector privado. “O nosso compromisso é transformar crescimento económico em emprego, investimento, rendimento e desenvolvimento económico, melhorando as condições de vida das famílias moçambicanas”, concluiu.
Texto: Felisberto Ruco
