A transparência, a boa governação e a criação de um ambiente favorável aos negócios são factores determinantes para atrair mais investimento para a economia azul em Moçambique, defendeu esta sexta-feira (12), em Maputo, Enea Stocco, representante da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ).
A posição foi apresentada durante o painel “Mecanismos de Financiamento da Economia Azul”, integrado na 3.ª Conferência Internacional Crescendo Azul, onde o especialista abordou a perspectiva dos investidores relativamente às oportunidades e desafios existentes no sector.
Segundo Stocco, Moçambique possui um elevado potencial para desenvolver actividades ligadas à economia azul, particularmente nos sectores da pesca, aquacultura e transformação de produtos marinhos. Contudo, para captar mais capital privado, o País precisa de reforçar a confiança dos investidores através de regras claras, instituições sólidas e maior disponibilidade de informação sobre o sector. “Os investidores precisam de transparência. Precisam de compreender os riscos, conhecer os dados disponíveis e ter confiança no ambiente de negócios”, afirmou.
O representante da GIZ destacou que a pesca e a aquacultura apresentam oportunidades significativas para gerar rendimento, emprego e acesso aos mercados internacionais, mas continuam a enfrentar limitações relacionadas com infra-estruturas, financiamento e capacidade produtiva. Entre os principais desafios identificados figuram a insuficiência de cadeias de frio, unidades de processamento e sistemas de conservação adequados, factores que contribuem para perdas significativas ao longo da cadeia de valor e reduzem a competitividade dos produtores nacionais.
Stocco sublinhou ainda que uma grande parte dos operadores da pesca artesanal e da aquacultura permanece à margem dos mecanismos formais de financiamento, dificultando a expansão das suas actividades e o acesso a novos mercados. Neste contexto, defendeu a necessidade de fortalecer o ecossistema de investimento da economia azul, promovendo uma maior articulação entre produtores, instituições financeiras, sector privado e parceiros de desenvolvimento.
O responsável destacou igualmente a importância do futuro Observatório da Economia Azul e da melhoria dos sistemas de recolha e disponibilização de dados, instrumentos que considera fundamentais para aumentar a transparência e apoiar a tomada de decisões por parte dos investidores. “Sem informação fiável e acessível é difícil mobilizar investimento de longo prazo”, observou.
A GIZ tem vindo a apoiar diversos projectos ligados à pesca sustentável, aquacultura, desenvolvimento de cadeias de valor e fortalecimento das capacidades empresariais de pequenos operadores. Segundo Stocco, o objectivo passa por criar condições para que os produtores consigam crescer, formalizar as suas actividades e aceder a financiamento em melhores condições.
O painel reuniu igualmente Manuel Mutumucuio, do Banco Mundial, Oswaldo Petersburgo, presidente do conselho de administração do ProAzul, e Meque Jimo Armando, representante da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA). A sessão foi moderada pelo secretário de Estado do Tesouro, Amílcar Tivane.
A 3.ª Conferência Internacional Crescendo Azul encerra esta sexta-feira (12), após dois dias de debates que reuniram membros do Governo, investidores, parceiros de cooperação, académicos e representantes do sector privado para discutir estratégias de financiamento e desenvolvimento sustentável da economia azul em Moçambique.
Texto: Felisberto Ruco

