O Banco de Moçambique (BdM) anunciou esta segunda-feira (25) o aumento do coeficiente de reservas obrigatórias aplicável aos passivos em moeda nacional de 29% para 39%, numa decisão destinada a retirar excesso de liquidez do sistema bancário e reduzir riscos de agravamento da inflação. O anúncio foi feito pelo governador do banco central, Rogério Zandamela, no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO).
A medida representa uma alteração da orientação seguida no início do ano, quando o banco central tinha reduzido os coeficientes de reservas obrigatórias no quadro do alívio monetário então em curso. Com esta decisão, o regulador volta a reforçar os instrumentos de controlo da liquidez numa conjuntura considerada mais exigente para a estabilidade dos preços.
Ao justificar a decisão, o governador explicou que o objectivo é limitar a circulação de liquidez excedentária susceptível de alimentar pressões inflacionárias.
“O Comité de Política Monetária decidiu aumentar o coeficiente de Reservas Obrigatórias para os passivos em moeda nacional de 29,0% para 39,0%, visando absorver a liquidez excedentária no sistema bancário, susceptível de gerar maior pressão inflacionária”, refere o comunicado apresentado pelo governador.
Ao mesmo tempo, o Banco de Moçambique decidiu manter inalterado em 29,5% o coeficiente de reservas obrigatórias para os passivos em moeda estrangeira, sinalizando uma actuação diferenciada entre os dois segmentos do mercado monetário.
Na prática, a decisão obriga os bancos comerciais a manterem uma parcela maior dos depósitos em meticais imobilizada junto do banco central, reduzindo os recursos disponíveis para circulação imediata no sistema financeiro.
O reforço das reservas obrigatórias surge numa altura em que o Banco de Moçambique reviu em alta as perspectivas para a inflação. Em Abril de 2026, a inflação anual acelerou para 4,4%, depois de 3,4% em Março, num contexto marcado pelo aumento dos custos dos combustíveis, incertezas no abastecimento e pressão dos preços internacionais.
Segundo o CPMO, permanecem igualmente elevados os riscos associados ao conflito no Médio Oriente e aos seus efeitos sobre as cadeias logísticas internacionais, preços energéticos e bens alimentares, factores que poderão continuar a pressionar a inflação doméstica.
Apesar do endurecimento das reservas obrigatórias, o banco central optou por manter a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 9,25%, privilegiando uma actuação mais direccionada sobre a liquidez do sector bancário.
O Banco de Moçambique indicou que a condução da política monetária continuará dependente da evolução dos riscos e das perspectivas de inflação nos próximos meses.
Como funciona o mecanismo de reservas obrigatórias?
Na prática, o aumento das reservas obrigatórias significa que os bancos comerciais passam a manter uma parcela maior dos depósitos imobilizada junto do Banco de Moçambique, reduzindo o volume de dinheiro disponível para concessão de crédito e outras operações no mercado. Com esta medida, o banco central procura retirar excesso de liquidez do sistema financeiro para limitar pressões sobre os preços e contribuir para o controlo da inflação, sem recorrer directamente ao aumento das taxas de juro.
Texto: Felisberto Ruco
