O dinheiro físico em circulação no País aumentou 5% em Abril, atingindo cerca de 959 milhões de dólares, interrompendo uma trajectória de três meses consecutivos de redução, segundo dados divulgados pelo Banco de Moçambique (BdM).
De acordo com o mais recente relatório estatístico da instituição citado pela Lusa, o volume de numerário em circulação recuperou após ter descido para cerca de 935 milhões de dólares em Janeiro e 912 milhões de dólares em Março, num período marcado por medidas de contenção da liquidez no âmbito da política monetária.
O banco central havia registado, em Dezembro de 2025, um máximo de aproximadamente mil milhões de dólares em circulação, culminando uma sequência de aumentos mensais observada desde Setembro. A partir de Janeiro, contudo, verificou-se uma redução gradual do numerário disponível na economia, reflectindo a orientação mais restritiva da política monetária destinada a controlar as pressões inflacionárias. Em termos homólogos, o dinheiro em circulação registou um crescimento de 2%, evidenciando uma evolução moderada da liquidez na economia moçambicana.
A recuperação observada em Abril surge num contexto em que o BdM decidiu manter a taxa de juro de política monetária, conhecida como MIMO, em 9,25%, ao mesmo tempo que reforçou as medidas de absorção de liquidez através do aumento do coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional de 29% para 39%.
Segundo o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, a decisão resulta do agravamento das incertezas externas, em particular dos efeitos do conflito no Médio Oriente sobre os preços internacionais dos combustíveis e dos alimentos, bem como sobre as cadeias logísticas globais.
“Esta decisão decorre da prevalência de elevadas incertezas quanto à duração do conflito no Médio Oriente e ao seu impacto sobre a cadeia logística e a oferta de bens, assim como sobre os preços internacionais e domésticos dos combustíveis e alimentos”, afirmou o governador.
O banco central reviu igualmente em alta as perspectivas para a inflação, admitindo que esta poderá atingir níveis de dois dígitos no curto e médio prazo caso persistam as actuais pressões sobre os combustíveis e outros bens importados.
Dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que os preços aumentaram 0,63% em Abril, acelerando face ao crescimento registado em Março. Em termos anuais, a inflação situou-se em 4,4% no quarto mês do ano, acima dos 3,4% observados no mês anterior.
