Não Haverá Financiamento às Importações de Combustíveis, Pelo Menos Para já • Diário Económico

O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, afirmou esta segunda‑feira, 23 de Março, em Maputo, que não há, para já, necessidade de o banco central retomar o financiamento directo das importações de combustíveis, apesar das pressões no abastecimento associadas ao conflito no Médio Oriente, informou a agência Lusa.

Falando à imprensa no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), Rogério Zandamela explicou que o sistema bancário nacional tem conseguido assegurar, de forma satisfatória, o financiamento destas operações.

“Por enquanto, não vemos nenhuma necessidade para que essa seja a nossa postura”, declarou Rogério Zandamela, sublinhando que, embora não seja perfeito, o desempenho da banca tem permitido garantir a continuidade do fornecimento de combustíveis ao País.

O posicionamento surge num contexto de constrangimentos no acesso a divisas para suportar as importações, num momento em que o mercado internacional enfrenta instabilidade, agravada pelo bloqueio de rotas estratégicas, como o estreito de Ormuz, por parte do Irão.

Dados avançados pelo secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane, indicam que o País dispunha, a 10 de Março, de cerca de 75 mil toneladas de combustíveis, volume considerado suficiente para garantir o abastecimento até princípios de Maio.

Amílcar Tivane acrescentou que aproximadamente 80% das importações nacionais de combustíveis transitam pelo estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas globais, o que expõe Moçambique aos riscos associados à instabilidade naquela região.

Nos primeiros meses de 2025, o País enfrentou dificuldades no abastecimento de combustíveis, em grande medida devido à escassez de moeda estrangeira no mercado, o que levou o banco central a adoptar medidas destinadas a reforçar a disponibilidade de divisas na banca comercial.

Recorde‑se que o Banco de Moçambique deixou, em 2023, de participar directamente nas facturas de importação de combustíveis, entendendo que os bancos comerciais já reuniam condições para assumir esse papel.

Este mecanismo de apoio, introduzido em 2005, chegou a cobrir a totalidade das importações após 2010, num período em que os elevados valores das facturas, que podiam atingir entre 10 e 20 milhões de dólares, dificultavam a sua absorção pelo sector bancário.

Entretanto, a redução do valor individual das facturas, actualmente muitas vezes abaixo de um milhão de dólares, permitiu uma maior diversificação dos intervenientes no financiamento, incluindo bancos de menor dimensão, tornando o mercado mais acessível e competitivo.

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