As Reservas Internacionais Líquidas (RIL) moçambicanas voltaram a recuar 1% em Abril, situando-se nos 3,47 mil milhões de dólares, após a decisão do Governo de efectuar uma “amortização integral e antecipada” de 701,4 milhões de dólares junto do Fundo Monetário Internacional (FMI), liquidando financiamentos contraídos no âmbito do Fundo para a Redução da Pobreza e o Crescimento (PRGT).
De acordo com dados do mais recente relatório estatístico do Banco de Moçambique (BdM), as reservas externas registaram uma redução acentuada face aos 4,2 mil milhões de dólares contabilizados em Fevereiro, valor que correspondia ao máximo histórico alcançado pelo País.
O documento, citado pela Lusa, acrescenta que as Reservas Internacionais Líquidas caíram 18% em Março, fixando-se em 3,4 mil milhões de dólares, o nível mais baixo dos últimos 12 meses.
Em Maio, o governador do banco central, Rogério Zandamela, garantiu que a decisão do Governo de efectuar pagamentos ao FMI não afectou as contas da instituição. “O banco central não ficou mais fraco, débil e vulnerável por causa desta decisão. Até diria o contrário. Hoje estamos seguros; em função de certos riscos que se estavam a ver, estamos bem melhor do que estaríamos se não tivéssemos tomado esta decisão”, afirmou o responsável no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO).
Zandamela avançou que o BdM mantém um nível de reservas muito confortável. “Está hoje praticamente a cinco meses de importação, o que é bastante elevado, pelo que isso não o enfraqueceu. Quando se efectuou o pagamento, estávamos numa determinada posição, e continuamos extremamente confortáveis.”
A ministra das Finanças, Carla Loveira, revelou que o Governo recorreu às Reservas Internacionais Líquidas (RIL) para pagar a dívida com o Fundo Monetário Internacional, garantindo que a decisão não compromete as instituições do Estado.
“Pagámos o serviço da dívida com o FMI recorrendo às reservas internacionais líquidas do País. São posições financeiras que Moçambique detém, pelo que não houve necessidade de alteração orçamental para esta finalidade”, afirmou a governante.
A Confederação das Associações Económicas (CTA) afirmou que a liquidação da dívida do País ao Fundo Monetário Internacional é um “sinal relevante” de responsabilidade macroeconómica e de reforço da credibilidade internacional, solicitando igualmente atenção às “avultadas dívidas internas”.
“O sector privado reconhece e valoriza o cumprimento das obrigações financeiras junto do Fundo Monetário Internacional, por constituir um sinal relevante de responsabilidade macroeconómica e de reforço da credibilidade internacional do País”, avançou a entidade em comunicado.

