O Banco de Moçambique (BdM) revelou que a economia nacional registou, em 2025, um agravamento significativo das contas externas, com o défice conjunto da conta corrente e de capital a subir 36,1% para 3 mil milhões de dólares, o equivalente a 12,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Segundo o Relatório Anual da Balança de Pagamentos e Posição de Investimento Internacional de 2025, o agravamento foi influenciado pela redução das exportações, aumento das importações e crescimento dos custos de serviços associados aos grandes projectos dos sectores de petróleo, gás e carvão mineral.
“O desempenho negativo do saldo da conta corrente resulta do incremento expressivo do défice da conta de bens, reflectindo o efeito da redução das exportações e do acréscimo das importações”, refere o BdM no relatório.
Os dados do banco central mostram que as exportações de bens recuaram 5,1% em 2025, pressionadas sobretudo pela queda das vendas dos grandes projectos, com destaque para carvão mineral, energia eléctrica e areias pesadas. Em sentido contrário, as importações cresceram 2,6%, impulsionadas pelo aumento das compras ligadas aos megaprojectos, que subiram 16,4%.
O BdM destaca igualmente o agravamento do défice da conta de serviços em 27,1%, devido ao aumento dos custos com assistência técnica, investigação e desenvolvimento relacionados com as actividades de pesquisa e prospecção no sector de petróleo e gás, sobretudo na Área 4 da bacia do Rovuma.
Apesar da deterioração das contas externas, a conta financeira registou uma entrada líquida de fundos de 3,5 mil milhões de dólares, sustentada pelo crescimento do Investimento Directo Estrangeiro (IDE), que aumentou 60,2% em 2025, impulsionado pelos investimentos na indústria extractiva.
O relatório refere ainda que as reservas internacionais brutas aumentaram para 4,2 mil milhões de dólares, montante suficiente para cobrir 3,7 meses de importação de bens e serviços, incluindo os grandes projectos.

