O volume das reservas obrigatórias constituídas pelos bancos comerciais moçambicanos junto do Banco de Moçambique (BdM) aumentou 7,5% no primeiro trimestre de 2026, atingindo 3,2 mil milhões de euros, segundo os dados do mais recente relatório estatístico da instituição.
De acordo com a Lusa, o desempenho representa uma recuperação após a redução registada no final de 2025 e ocorre num contexto de ajustamento gradual das medidas de política monetária adoptadas pela autoridade monetária.
De acordo com o histórico estatístico do banco central, estas reservas tinham alcançado um máximo histórico em Dezembro de 2024, quando totalizaram 3,9 mil milhões de euros, imediatamente antes do alívio dos coeficientes de reservas obrigatórias. Depois da quebra observada no final do ano passado, os montantes voltaram a crescer nos primeiros meses de 2026.
No início de Janeiro de 2023, os coeficientes de reservas obrigatórias encontravam-se fixados em 10,5% para depósitos em moeda nacional e 11% para depósitos em moeda estrangeira. Ao longo do primeiro semestre desse ano, o Banco de Moçambique avançou com dois aumentos sucessivos para absorver o excesso de liquidez e limitar pressões inflacionárias.
A última revisão ocorreu em Junho de 2023, elevando os níveis de retenção para 39% dos depósitos em moeda nacional e 39,5% dos depósitos em moeda estrangeira, valores que marcaram um máximo histórico.
Desde Dezembro de 2022, quando estas reservas correspondiam a 836 milhões de euros, o montante depositado junto do banco central acumulou um crescimento próximo de 400% até ao final de 2024.
Num contexto de escassez de divisas no mercado interno, o sector empresarial vinha defendendo desde 2024 uma redução dos coeficientes aplicados às reservas em moeda estrangeira, argumentando que os níveis elevados restringiam a disponibilidade de moeda externa.
A alteração só viria a ser anunciada a 27 de Janeiro de 2025, quando o Comité de Política Monetária decidiu reduzir os coeficientes para 29% em moeda nacional e 29,5% em moeda estrangeira.
O mercado acompanha agora a reunião do Comité de Política Monetária agendada para 27 de Maio, em Maputo, da qual são esperadas indicações sobre a evolução da liquidez no sistema financeiro e o rumo da política monetária.
