Cerca de 70 Pescadores Mortos Desde 2024 em Incidentes Com Militares, Diz ACLED • Diário Económico

a d v e r t i s e m e n t

A organização Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estima que cerca de 70 pescadores morreram desde 2024 em “incidentes” com militares nos distritos de Macomia e Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado, região Norte de Moçambique.

Em declarações à Lusa, o investigador da ACLED Peter Bofin explicou que o caso mais recente deu-se em 15 de Março, em Mocímboa da Praia, um dos distritos mais fustigados pelos ataques terroristas, com relatos locais que apontam para 13 pescadores mortos alegadamente por militares.

Bofin relatou ainda que, desde Janeiro de 2024, a organização registou a morte de 58 pescadores, que atribuiu à Marinha de Guerra moçambicana, ligadas a incidentes ao largo da costa de Macomia e Mocímboa da Praia, e nos arredores do distrito de Ibo.

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“Houve também um incidente com a Unidade de Intervenção Rápida (UIR) onde morreram duas pessoas nas águas do distrito de Palma, assim como outros seis mortos desse tipo foram notificados perto de Mucojo”, disse o investigador.

Recentemente, num relatório, a entidade avançou 6418 pessoas terão sido mortas desde o início dos ataques terroristas em 2017, envolvendo extremistas do Estado Islâmico.

“Dos 2298 eventos violentos registados, 2133 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique. A violência política no norte do País diminuiu significativamente no final de 2025, sendo Dezembro o auge da estação chuvosa, que restringe a mobilidade, tanto dos terroristas quanto das forças estatais e, consequentemente, reduz a capacidade de realizar operações”, descreveu.

No documento, a instituição esclareceu que “apesar desse decréscimo sazonal, forças estatais, moçambicanas e ruandesas, entraram em confronto com o Estado Islâmico ao longo da costa e no interior, indicando uma nova seriedade no enfrentamento do grupo.”

No ano passado, o Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu a necessidade de uma reformulação contínua da estratégia nacional de defesa, sublinhando que a segurança de Moçambique depende de instituições capazes de produzirem conhecimento e de formarem quadros altamente qualificados para combater os vários crimes.

Citado pela Agência de Informação de Moçambique, o chefe do Estado reiterou o apelo à vigilância e à prontidão das Forças de Defesa e Segurança (FDS) face ao terrorismo ainda activo na província de Cabo Delgado, destacando a centralidade da produção científica para a protecção do Estado.

Desde Outubro de 2017, Cabo Delgado – província rica em recursos naturais, nomeadamente gás – tem sido palco de uma insurgência armada que já provocou milhares de mortos e originou uma crise humanitária com mais de um milhão de deslocados internos.

Em Abril de 2025, os ataques alastraram também à vizinha província do Niassa. Um dos episódios mais graves ocorreu na Reserva do Niassa e no Centro Ambiental de Mariri, no distrito de Mecula, onde grupos armados não estatais atacaram instalações, roubaram bens, destruíram acampamentos e uma aeronave do parque. Estes actos resultaram na morte de, pelo menos, duas pessoas, e levaram à deslocação de mais de dois mil indivíduos, dos quais 55% crianças.

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