O Governo ao nível da província de Cabo Delgado, na região Norte, lançou nesta terça-feira, 9 de Junho, o projecto Investimento Resiliente para o Empoderamento Socioeconómico, a Paz e a Segurança (RISE-PS) avaliado em 28 milhões de dólares.
Segundo um comunicado, a iniciativa tem como objectivo criar cerca de 24 mil empregos directos, reabilitar 150 instalações de infra-estrutura básica e apoiar duas mil micro, pequenas e médias empresas (MPME) através de formação, kits de equipamentos e financiamento.
A nota divulgada pelo Club of Mozambique avança que o programa inclui também a construção de uma vila para as MPME em Afungi, distrito de Palma, para impulsionar o desenvolvimento agro-industrial, acrescentando que o distrito de Ancuabe também será contemplado.
Na ocasião, o governador daquela província, Valige Tauabo, apelou aos parceiros de implementação para que tratem a iniciativa como uma ferramenta de coesão social, sublinhando a importância de envolver os empresários locais, principalmente os jovens, como forma de reduzir a vulnerabilidade da juventude e promover o desenvolvimento sustentável na província.
O RISE-PS será implementado pela Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) e conta com um financiamento misto, que inclui 17 milhões de dólares do Mecanismo de Apoio à Transição do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), 4,2 milhões do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), 2,4 milhões do Governo da Alemanha, 3,1 milhões de parceiros do sector privado e 1,3 milhões do Governo de Moçambique.
Desde Outubro de 2017, Cabo Delgado, província rica em recursos naturais, nomeadamente gás, tem sido palco de uma insurgência armada que já provocou milhares de mortos e originou uma crise humanitária com mais de um milhão de deslocados internos.
Em Abril de 2025, os ataques alastraram à vizinha província do Niassa. Um dos episódios mais graves ocorreu na Reserva do Niassa e no Centro Ambiental de Mariri, no distrito de Mecula, onde grupos armados não estatais atacaram instalações, roubaram bens, destruíram acampamentos e uma aeronave do parque. Estes actos resultaram na morte de pelo menos duas pessoas e levaram à deslocação de mais de dois mil indivíduos, dos quais 55% crianças.

