A Organização Internacional para as Migrações (OIM) reportou que mais de 12 mil pessoas, metade crianças e 62 mulheres grávidas, fugiram desde o início do mês de ataques terroristas no distrito de Ancuabe, província de Cabo Delgado, norte de Moçambique.
“Ataques seguidos pelo medo de grupos armados não estatais, que operam há mais de oito anos no norte de Moçambique, desencadearam deslocamentos para várias aldeias, dentro de Ancuabe e para o distrito vizinho de Montepuez”, descreveu um relatório citado pela Lusa.
Segundo o documento, 12 077 pessoas, o equivalente a 3871 famílias, fugiram das localidades de Nacuale, Minheuene e Meza. “Das 3507 mulheres adultas (29%) identificadas nos grupos de deslocados, 62 estavam grávidas, além do registo de 5870 crianças (49%). Havia ainda 183 pessoas com mais de 60 anos e 22 pessoas com deficiência”.
Neste sentido, a entidade manifestou preocupação com os riscos significativos de separação familiar, violência de género, perda de documentos e sofrimento psicossocial.
Recentemente, o Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno (IDMC), organização não-governamental (ONG) que faz parte do Conselho Norueguês para Refugiados (NRC), revelou que Moçambique foi o país da África Subsaariana com maior número de deslocamentos internos em 2025 devido aos desastres.
De acordo com o “Relatório Global sobre Deslocamento Interno 2026”, os desastres naturais provocaram quase 2,9 milhões de deslocamentos na África Subsaariana em 2025, sendo que Moçambique registou 669 mil.
“O ciclone Dikeledi causou o deslocamento de 167 mil pessoas na província de Nampula, no norte do País, o ciclone Chido foi responsável por mais de 142 mil deslocamentos, enquanto o Jude provocou 493 mil movimentações”, contextualiza o documento.
O estudo esclareceu ainda que Moçambique também registou 339 mil deslocamentos em 2025 devido ao conflito em curso na província de Cabo Delgado, no norte do País. “Um terço dos deslocamentos registados em 2025 devido a conflitos ocorreu somente no mês de Novembro”, acrescenta.
Cabo Delgado, província rica em recursos naturais, sobretudo gás natural, enfrenta uma insurgência armada desde Outubro de 2017, conflito que já provocou milhares de mortos e deslocados.
Dados recentes da organização Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED) indicam que entre 20 de Abril e 3 de Maio foram registados 15 eventos violentos em Cabo Delgado, sete dos quais atribuídos a grupos extremistas ligados ao Estado Islâmico, causando pelo menos 15 mortos.
Desde o início da insurgência, em 2017, a ACLED contabiliza 2371 incidentes violentos na província, dos quais 2191 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico em Moçambique, totalizando mais de 6500 mortos.

