Pelo menos 11 mil pessoas foram deslocadas na província de Cabo Delgado devido à recente vaga de ataques armados registada entre finais de Abril e início de Maio, avançou esta terça-feira (12) a União Europeia (UE), segundo informou a Lusa.
De acordo com um comunicado divulgado pela Direcção-Geral da Protecção Civil Europeia e das Operações de Ajuda Humanitária (ECHO), a UE refere que o período foi marcado por uma intensificação da actividade de grupos armados não estatais nos distritos de Ancuabe e Montepuez, com ataques dirigidos a civis, militares e zonas de exploração mineira.
“Os grupos armados saquearam aldeias em Ancuabe, queimaram casas, mataram, sequestraram e cometeram actos de violência sexual”, refere o documento, acrescentando que os atacantes destruíram igualmente um centro de saúde e edifícios de uma igreja católica.
Segundo a ECHO, os ataques provocaram a deslocação de cerca de 11 mil pessoas em Ancuabe e no distrito vizinho de Montepuez. O organismo europeu acrescenta ainda que, no mesmo período, confrontos entre extremistas e forças moçambicanas e ruandesas em Mocímboa da Praia provocaram mortos, embora o número de vítimas não tenha sido confirmado.
“Estes repetidos episódios de violência reflectem a instável segurança de Cabo Delgado, com o acesso humanitário regularmente bloqueado por confrontos e ameaças de engenhos explosivos improvisados”, assinala a ECHO.
A agência europeia alerta igualmente que muitas famílias continuam a realizar deslocações sucessivas devido aos ataques, agravando a crise humanitária na região.
Cabo Delgado, província rica em recursos naturais, sobretudo gás natural, enfrenta uma insurgência armada desde Outubro de 2017, conflito que já provocou milhares de mortos e deslocados.
Dados recentes da organização Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED) indicam que entre 20 de Abril e 3 de Maio foram registados 15 eventos violentos em Cabo Delgado, sete dos quais atribuídos a grupos extremistas ligados ao Estado Islâmico, causando pelo menos 15 mortos.
Desde o início da insurgência, em 2017, a ACLED contabiliza 2371 incidentes violentos na província, dos quais 2191 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico em Moçambique, totalizando mais de 6500 mortos.

