Economia

Café moçambicano ganha destaque no mercado internacional por apresentar características únicas

Uma investigação científica internacional revelou que o café produzido nas montanhas de Chimanimani, no centro de Moçambique, possui características sensoriais de excelência, reforçando o potencial do País para se afirmar como uma nova origem de cafés especiais no mercado global.

O estudo, recentemente publicado na revista científica Food Chemistry: Molecular Sciences, da editora Elsevier (https://doi.org/10.1016/j.fochms.2025.100344), concluiu que os  microrganismos naturais presentes durante o processo de fermentação das cerejas de café desempenham um papel determinante na definição do aroma e do sabor do produto final.

Segundo uma publicação do portal Ngani, os investigadores analisaram amostras de café cultivado no Monte Tsetsera, localizado no distrito de Sussundenga, província de Manica, e identificaram níveis invulgarmente elevados de compostos aromáticos associados a notas florais e frutadas — características altamente valorizadas no mercado internacional de cafés especiais.

De acordo com os resultados da investigação, o café analisado alcançou 87,25 pontos segundo os padrões internacionais de avaliação sensorial utilizados pela indústria global do café, classificação considerada de alta qualidade e que coloca o produto na categoria de cafés especiais.

Os cientistas destacam que o perfil aromático identificado resulta, em grande parte, da actividade de microrganismos naturais durante a fermentação do café, processo que influencia directamente a complexidade de sabores e aromas presentes na bebida.

A descoberta científica contribui para reforçar o posicionamento da região de Chimanimani como uma área promissora para a produção de cafés de elevada qualidade, abrindo perspectivas para a valorização do café moçambicano nos mercados internacionais.

Para o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, os resultados representam um marco importante para o sector agrícola nacional. A instituição considera que a evidência científica agora apresentada confirma o elevado potencial da cadeia de valor do café para impulsionar o desenvolvimento rural, gerar rendimento para as comunidades produtoras e diversificar as exportações agrícolas do País.

Para especialistas do sector, o reconhecimento científico do café de Chimanimani demonstra como os recursos naturais e a biodiversidade de Moçambique podem transformar-se em oportunidades económicas sustentáveis quando associados à investigação e à valorização dos produtos locais.

Com resultados que surpreenderam investigadores e especialistas da indústria, o café produzido nas montanhas de Manica começa agora a ganhar espaço no mapa internacional dos cafés especiais — um sinal de que Moçambique pode, também neste sector, oferecer ao mundo histórias de excelência.

(Foto DR)

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