Os cinco maiores bancos a operar em Moçambique encerraram 2025 com uma queda agregada de 70,4% nos resultados líquidos, num desempenho fortemente condicionado pela exposição à dívida pública, pelo agravamento do risco soberano e pelo reforço das imparidades sobre títulos do Estado.
Dados divulgados pelas principais instituições bancárias mostram que o sector registou lucros agregados de 68,7 milhões de dólares em 2025, o que representa uma redução absoluta de 163,5 milhões de dólares face ao exercício anterior. Os bancos associam este desempenho ao agravamento da percepção de risco sobre a dívida soberana moçambicana, aos cortes de rating registados ao longo do ano e a um enquadramento macroeconómico mais exigente.
O Banco Comercial e de Investimentos (BCI), maior banco do sistema financeiro nacional, registou uma redução de 40,3% nos lucros, que recuaram para 48,6 milhões de dólares. A instituição refere que os resultados foram afectados por factores extraordinários, incluindo o reforço das imparidades relacionadas com exposições à dívida pública.
O Millennium bim apresentou a queda mais acentuada entre os maiores operadores bancários. O resultado líquido passou de 44,6 milhões de dólares em 2024 para apenas 2,7 milhões de dólares em 2025.
Segundo o banco, o exercício obrigou ao reconhecimento adicional de imparidades associadas à dívida pública, incluindo provisões de 79,5 milhões de dólares relacionadas com este risco.
O Standard Bank também apresentou uma redução dos resultados líquidos, que caíram 26% para 60,4 milhões de dólares. A instituição apontou como factores determinantes o elevado risco soberano, o impacto da descida das taxas de juro, a limitação na disponibilidade de divisas e a contracção do crédito.
No Absa Bank Moçambique, os lucros diminuíram 62,9%, fixando-se em 9,1 milhões de dólares, num contexto que a administração descreve como marcado pelo aumento do custo do risco e pressão sobre a actividade bancária. Já o Moza Banco, único entre os cinco maiores controlado por capitais moçambicanos, agravou os prejuízos. As perdas aumentaram de 1,4 milhão de dólares para 52,3 milhões de dólares, reflectindo reforço de imparidades e medidas de saneamento do balanço.
Entretanto, o Banco de Moçambique alertou que o elevado endividamento público e o crescimento da dívida em atraso continuam a afectar o funcionamento do mercado financeiro e a limitar a liquidez bancária. Dados da Conta Geral do Estado indicam que o stock da dívida pública aumentou 20% nos últimos cinco anos e fechou 2025 em 17,1 mil milhões de dólares, equivalente a 72,23% do Produto Interno Bruto (PIB).
