Professores Pedem Revisão do Calendário Escolar em Zonas Afectadas Pelas cheias • Diário Económico
A Associação Nacional dos Professores de Moçambique (ANAPRO) pediu a revisão do calendário escolar nas zonas afectadas pelas cheias e o pagamento integral do 13.º salário aos docentes impactados pelos efeitos negativos da presente época chuvosa.
Citado pela Lusa, o vice-presidente e porta-voz da Anapro, Marcos Mulima, afirmou que milhares de professores e alunos no sul do País não reúnem condições mínimas para o início das aulas, cujo arranque está previsto para o dia 30 de Janeiro, devido às perdas provocadas pelas inundações, que continuam a agravar-se.
“Nós temos professores e alunos afectados por cheias e inundações, muitos perderam casas e bens, e é impossível falar de normalidade sem primeiro criar condições materiais e emocionais para essas pessoas”, disse Mulima.
Entre as medidas imediatas, o responsável defendeu o pagamento integral e antecipado do 13.º salário de 2025 aos professores, ao contrário dos 40% aprovados pelo Governo, acrescentando que, por exemplo, no distrito de Chókwè, província de Gaza, praticamente todas as escolas da zona urbana e suburbana ficaram inundadas, incluindo institutos de ensino técnico profissional.
“Há escolas que estão a servir como locais para albergar vítimas de cheias e inundações, portanto, propomos a redefinição do calendário escolar para as zonas afectadas, não para o geral. Que se repense também na melhoria das condições materiais, através da criação de uma equipa multissectorial para responder à crise educativa nestas áreas”, declarou.
Na terça-feira, 20 de Janeiro, o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, afirmou que o arranque do ano lectivo está sob avaliação nas províncias do sul, em particular Gaza e Maputo, dependendo da evolução da situação no terreno.
Por sua vez, a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH) alertou que o risco de ruptura da barragem de Senteeko, localizada na África do Sul, poderá comprometer o abrandamento das inundações nos distritos de Magude e Manhiça, na província de Maputo, bem como atrasar a reabertura da Estrada Nacional Número 1 (N1).
Nesta quarta-feira (21), o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) emitiu um aviso de alerta amarelo devido à aproximação de uma depressão tropical no Canal de Moçambique, prevendo-se que venha a agravar o cenário de emergência já instalado no sul do País, onde se registam cheias generalizadas e populações sitiadas.
Numa das suas intervenções recentes, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) alertou que Moçambique pode estar perante uma situação de cheias potencialmente mais grave do que a registada em 2000, na qual morreram aproximadamente 800 pessoas, naquela que é considerada uma das maiores catástrofes naturais da história do País.
As cheias de 2000 em Moçambique foram provocadas por chuvas intensas e ciclones tropicais, que atingiram sobretudo as bacias dos rios Limpopo, Incomáti, Umbelúzi e Save, afectando gravemente o sul e centro do País. O desastre deixou milhões de afectados, destruiu infra-estruturas, habitações e campos agrícolas e provocou elevados prejuízos económicos.
Actualmente, o Governo enfrenta um défice de 6,6 mil milhões de meticais para responder à actual época chuvosa, num contexto em que são necessários 14 mil milhões de meticais para assegurar a assistência humanitária, apoio aos deslocados, serviços de saúde e alimentação nos centros de acomodação.
Moçambique está em plena época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do País, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões.
O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão.
Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.