O Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno (IDMC), organização não-governamental (ONG) que faz parte do Conselho Norueguês para Refugiados (NRC), revelou que Moçambique foi o país da África Subsaariana com maior número de deslocamentos internos em 2025 devido aos desastres.
De acordo com o “Relatório Global sobre Deslocamento Interno 2026”, citado pela Lusa, os desastres naturais provocaram quase 2,9 milhões de deslocamentos na África Subsaariana em 2025, sendo que Moçambique registou 669 mil.
“O ciclone Dikeledi causou o deslocamento de 167 mil pessoas na província de Nampula, no norte do País, o ciclone Chido foi responsável por mais de 142 mil deslocamentos, enquanto o Jude provocou 493 mil movimentações”, contextualiza o documento.
Segundo o documento, a costa leste da África Austral fica exposta a ciclones todos os anos entre Outubro e Março, o que frequentemente leva a deslocamentos repetidos. “A temporada de 2024-25 ilustrou esse padrão: ciclones de alta intensidade em rápida sucessão desencadearam 826 mil deslocamentos em 2025, o segundo maior número numa década.”
“Os choques repetidos sublinharam a exposição de Moçambique a vários riscos enquanto se recuperava dos impactos persistentes da seca em 2024. Após anos de deslocamentos significativos devido à seca no Corno de África e na África Austral, registaram-se menos movimentos deste tipo em 2025, em parte devido ao menor número de relatórios produzidos”, salienta.
O estudo esclarece ainda que Moçambique também registou 339 mil deslocamentos em 2025 devido ao conflito em curso na província de Cabo Delgado, no norte do País. “Um terço dos deslocamentos registados no País em 2025 devido a conflitos ocorreu somente no mês de Novembro”, elucida.
O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024 e 2025, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude, que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão.
Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos, em termos nacionais, entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.
Desde Outubro de 2017, Cabo Delgado, província rica em recursos naturais, nomeadamente gás, tem sido palco de uma insurgência armada que já provocou milhares de mortos e originou uma crise humanitária com mais de um milhão de deslocados internos.
Em Abril de 2025, os ataques alastraram também à vizinha província do Niassa. Um dos episódios mais graves ocorreu na Reserva do Niassa e no Centro Ambiental de Mariri, no distrito de Mecula, onde grupos armados não estatais atacaram instalações, roubaram bens, destruíram acampamentos e uma aeronave do parque. Estes actos resultaram na morte de, pelo menos, duas pessoas, e levaram à deslocação de mais de dois mil indivíduos, dos quais 55% crianças.

