Cientistas identificaram uma vasta fronteira tectónica sob a África Oriental, que se estende desde Moçambique até à Tanzânia, revelando novos dados sobre a forma como o continente poderá evoluir geologicamente ao longo de milhões de anos, informou esta quinta-feira, 30 de Abril o Daily Mail.
O órgão explica que a estrutura, denominada Rovuma Transform Margin, tem cerca de 500 quilómetros de extensão e marca a transição entre a crosta continental africana e o fundo oceânico, sendo considerada uma descoberta relevante para a compreensão da dinâmica das placas tectónicas na região.
Segundo os investigadores, esta antiga falha poderá influenciar o movimento das placas ao longo do tempo, contribuindo para o processo gradual de separação do continente africano, que, num futuro distante, poderá dividir-se em duas grandes massas terrestres.
Este fenómeno já está em curso através do East African Rift System, uma extensa falha que atravessa o leste de África e está a afastar progressivamente as placas Núbia e Somali a uma velocidade de alguns milímetros por ano.
De acordo com Jordan Phethean, coautor do estudo, a Rovuma Transform Margin funciona como uma espécie de “guia geológico”, condicionando a direcção e o comportamento do movimento das placas tectónicas.
Embora actualmente não seja uma falha activa, trata-se de uma estrutura “fóssil”, formada há cerca de 100 milhões de anos durante a fragmentação do supercontinente Gondwana, tendo sido posteriormente coberta por sedimentos transportados pelo rio Rovuma.
Durante décadas, a existência desta fronteira tectónica foi debatida pela comunidade científica, mas apenas com o recurso a tecnologias modernas, como medições gravitacionais por satélite e técnicas de reflexão sísmica, foi possível confirmar a sua localização e características.
Os dados revelam uma transição abrupta entre a crosta continental e a oceânica, com uma redução significativa da espessura da crosta num curto espaço, o que é interpretado como uma “cicatriz geológica” resultante de processos tectónicos antigos.
Os cientistas consideram ainda que esta estrutura desempenhou um papel importante na separação de Madagáscar do continente africano e poderá, no futuro, voltar a ser activada, influenciando novamente o movimento das placas e contribuindo para a formação de um novo supercontinente, num horizonte de milhões de anos.

