O Fundo Monetário Internacional (FMI) antecipa que a economia moçambicana deverá crescer apenas 0,5% em 2026, num contexto marcado por elevada incerteza e persistente escassez de divisas, após uma contracção registada no ano anterior, tal como informou a Lusa.
A projecção foi avançada pelo chefe‑adjunto da divisão de estudos regionais do departamento africano do FMI, António David, que sublinhou que a actividade económica no País continuará pouco dinâmica no curto prazo. “No ano passado já houve um crescimento negativo e projectamos que, devido à elevada incerteza e à escassez de divisas, a actividade económica deverá manter‑se fraca em Moçambique”, afirmou.
Segundo o responsável, embora os projectos de gás natural possam vir a impulsionar o crescimento mais para o final da década, o País deverá enfrentar constrangimentos significativos até lá, sendo particularmente afectado pelo actual contexto internacional. A guerra no Médio Oriente, destacou, tem provocado choques nos preços do petróleo, penalizando economias importadoras como a moçambicana.
“Como Moçambique é um país importador de petróleo, é bastante afectado pelo choque de oferta causado pela crise no Médio Oriente, o que deverá impactar negativamente as perspectivas de crescimento para 2026”, explicou.
Apesar do abrandamento económico, o FMI reconhece a capacidade das autoridades moçambicanas em manter a inflação controlada, abaixo dos 5%. Ainda assim, alerta para a existência de pressões orçamentais significativas, agravadas por limitações na mobilização de receitas públicas, nomeadamente devido a isenções fiscais em regimes especiais.
Neste contexto, o organismo internacional recomenda a adopção de medidas que permitam assegurar a sustentabilidade das finanças públicas. Entre as prioridades apontadas estão a redução da dívida pública, a estabilização macroeconómica e o reforço da disponibilidade de divisas, bem como a criação de condições mais favoráveis ao desenvolvimento do sector privado.
O FMI sublinha igualmente que, até ao final da década, não são esperadas receitas substanciais provenientes da exploração de gás natural, o que reforça a necessidade de prudência na condução da política orçamental.
No plano regional, a África Subsaariana deverá manter um crescimento relativamente estável, estimado em 4,3% em 2026 e 4,4% em 2027, beneficiando de esforços de estabilização macroeconómica e de reformas estruturais implementadas nos últimos anos. Ainda assim, persistem assimetrias entre economias, com alguns países a enfrentarem desafios prolongados.
A nível global, o FMI reviu em baixa a previsão de crescimento económico para 2026, fixando‑a em 3,1%, menos 0,2 pontos percentuais face à anterior estimativa, reflectindo o impacto das tensões geopolíticas no Médio Oriente. O crescimento deverá recuperar ligeiramente para 3,2% em 2027, embora permaneça abaixo da média recente.

