Governo Alerta Para “Tragédia Silenciosa” Das Doenças Crónicas no País • Diário Económico

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O ministro da Saúde, Ussene Isse, advertiu que Moçambique enfrenta uma “tragédia silenciosa”, caracterizada pelo aumento acelerado das doenças crónicas não transmissíveis e dos respectivos factores de risco, informou o jornal O País.

Intervindo esta quarta‑feira (15) na Assembleia da República, o governante manifestou preocupação com o estado de saúde da população, destacando a evolução do sobrepeso, que passou de 21,2% em 2005 para 35,5% em 2024.

Segundo o ministro, esta tendência reflecte o agravamento de factores de risco como a obesidade, a diabetes e a hipertensão arterial. “O que estamos a assistir é o crescimento de factores de risco evitáveis. E repito: evitáveis”, afirmou, apontando a inactividade física, os hábitos alimentares inadequados e o consumo de tabaco e álcool como principais causas.

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Ussene Isse chamou igualmente a atenção para o reduzido nível de conhecimento da população sobre doenças silenciosas, como a hipertensão e a diabetes, sublinhando que muitos cidadãos vivem sem diagnóstico. “Muitas pessoas não sabem que estão doentes, o que dificulta o diagnóstico precoce e aumenta o risco de complicações graves”, alertou.

Perante este cenário, o ministro apelou ao reforço das acções de prevenção e ao rastreio regular destas doenças no Sistema Nacional de Saúde. “Prevenir e diagnosticar precocemente é essencial para evitar complicações graves”, frisou.

O governante destacou ainda a mudança no perfil epidemiológico do País, referindo que, enquanto as doenças infecciosas tendem a diminuir, as doenças crónicas e os traumas já representam cerca de 60% da procura pelos serviços de saúde.

Além do impacto sanitário, o ministro sublinhou os custos elevados associados ao tratamento destas patologias. “O tratamento de doenças como a diabetes e a hipertensão é significativamente mais oneroso do que o de doenças infecciosas, o que poderá agravar a pressão sobre o orçamento do sector da saúde”, afirmou.

Outro dado preocupante apontado foi o aumento da mortalidade por doenças crónicas, que passou de cerca de 8% em 2007 para 37% no biénio 2023/2024.

Ussene Isse destacou igualmente o crescimento dos casos de trauma, sobretudo decorrentes de acidentes de viação, classificando‑os como um “novo desafio nacional” que exige respostas adequadas. Neste contexto, defendeu a necessidade de uma mudança de paradigma no Sistema Nacional de Saúde, com maior enfoque na prevenção, educação sanitária e adaptação dos serviços às doenças crónicas.

O ministro abordou ainda a urgência de aprovação de legislação sobre transplantes, apontando‑a como uma alternativa sustentável à hemodiálise, cuja procura tem vindo a aumentar no País.

Dirigindo‑se aos deputados da Assembleia da República, apelou para que assumam um papel activo na promoção de estilos de vida saudáveis e na sensibilização das comunidades. “Está tudo nas nossas mãos”, concluiu, reiterando que a prevenção continua a ser o instrumento mais eficaz para salvar vidas e reduzir o impacto das doenças no País.

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