O Fundo Monetário Internacional (FMI), recomendou ao Governo moçambicano a necessidade do reforço da mobilização de receitas internas, bem como a redução da massa salarial na Função Pública.
Falando esta terça-feira (16), em conferência de imprensa após uma sessão ordinária do Conselho de Ministros, o porta-voz Salim Valá sublinhou que a expectativa é de que no regresso da missão do FMI em Setembro próximo, seja assinado um acordo de financiamento ao Governo.
O governante acrescentou que o FMI deixou recomendações duras, entre elas, a necessidade do Estado aumentar a capacidade de arrecadação de receitas, assim como redução das despesas de funcionamento, consideradas elevadas, conter a despesa pública, eliminar redundâncias e evitar sobreposições na máquina estatal.
“O objectivo é criar espaço orçamental para investimentos prioritários e reforçar a capacidade institucional do Estado”, explicou o porta-voz.
Na mesma ocasião, Salim Valá, frisou que o País pretende prosseguir com reformas que transmitam confiança aos mercados financeiros e facilitem o acesso a crédito concessional e donativos.
Recorde-se que o novo programa financeiro é negociado após Moçambique ter decidido em Abril passado antecipar a liquidação total da sua dívida no valor de 701,4 milhões de dólares, equivalentes a 514,04 milhões de Direitos de Saque Especiais (SDR), encerrando desta forma todos os pagamentos pendentes e antecipando o calendário de amortizações que se estenderia até 2030 junto daquela instituição financeira.
Contudo, após a avaliação da semana passada, o FMI concluiu que a economia moçambicana continua a atravessar um período desafiante, marcado pela subida da inflação e pela persistência de vulnerabilidades fiscais e externas. Apesar de reconhecer que a actividade económica está a recuperar gradualmente após a contracção registada em 2025, o FMI assinala que “o País continua a debater-se com dificuldades económicas, num contexto internacional cada vez mais complexo”, acompanhado por crescimento moderado e abaixo do seu potencial.
“A inflação aumentou recentemente, embora partindo de níveis moderados. Os desequilíbrios fiscais reduziram-se em 2025, num contexto de condições de financiamento restritivas, mas persistem vulnerabilidades fiscais e da dívida”, refere o comunicado do FMI.
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