O Governo pediu nesta quarta-feira, 17 de Junho, a expansão do programa “Cozinha Limpa”, implementado pela petrolífera italiana Eni, assim como a sensibilização das comunidades face aos desafios no uso de fogões melhorados, que constituem um pilar essencial para o desenvolvimento comunitário.
“Temos razões mais do que suficientes para incentivarmos os jovens de todas as comunidades a aderirem a este programa, porque o uso de fogões melhorados é um pilar essencial para o desenvolvimento sustentável das nossas comunidades”, referiu Adérito Letela, director nacional do Desenvolvimento Territorial no Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP).
De acordo com a Lusa, a iniciativa, desenvolvida em parceria com o Instituto Superior Dom Bosco de Moçambique, já atingiu um marco significativo, alcançando neste momento um milhão de beneficiários. Assim, Adérito Letela defendeu que se deve trabalhar para a transição para as energias limpas, frisando que a educação e o apoio comunitário podem transformar vidas.
“Aconselhamos a expansão de estabelecimentos de venda de fogões melhorados da Eni e a realização de seminários de capacitação técnica”, disse, recordando que ainda persistem desafios nas comunidades relacionados com o factor cultural, em que as pessoas estão acostumadas a cozinhar com métodos tradicionais e têm receio de mudar.
Já a directora de projectos da Eni Moçambique, Marica Calabrese, avançou que os fogões podem utilizar até menos 80% de carvão, reflectindo uma poupança para as famílias, revelando que o programa emprega actualmente 120 jovens moçambicanos desde a produção até à distribuição.
“Tudo isso foi possível só porque temos uma parceria muito grande com o Governo de Moçambique, que nos permitiu trabalhar, nos acompanha e nos ajuda também a perceber quais são as necessidades do País e, sobretudo, das comunidades”, disse Marica Calabrese.
Calabrese avançou que a distribuição dos fogões se iniciou em 2023, abrangendo as províncias de Maputo, na região sul, e Sofala e Manica, no centro do País, visando expandir o acesso à energia limpa, reduzir o uso de biomassa e melhorar as condições de saúde das populações beneficiárias, “especialmente entre os grupos mais vulneráveis”, através de tecnologia que permite queimar combustíveis tradicionais de forma mais eficiente.
