O Governo defendeu esta terça-feira, 2 de Junho, em Maputo, o reforço da resiliência climática e a mobilização de financiamento internacional para adaptação, numa altura em que o País enfrenta impactos cada vez mais severos das mudanças climáticas, incluindo ciclones, secas, cheias e erosão costeira.
Segundo a Agência de Informação de Moçambique, a posição foi apresentada pela directora nacional do Ambiente e Mudanças Climáticas no Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, Sónia Muando. A responsável falava em nome das celebrações do Dia Mundial do Ambiente, assinalado a 5 de Junho.
De acordo com a responsável, Moçambique está actualmente a actualizar a sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), instrumento que define os compromissos climáticos do País, com o objectivo de integrar adaptação, resiliência e desenvolvimento sustentável em sectores considerados estratégicos.
“A nossa visão é trazer a componente da adaptação para a agricultura, energia, transportes, recursos minerais e outros sectores estratégicos. Já não podemos dissociar o desenvolvimento económico da realidade das mudanças climáticas”, afirmou.
Sónia Muando explicou que a elevada exposição do País a fenómenos extremos obriga o Governo a incorporar critérios de resiliência em toda a planificação nacional. “A adaptação tem de estar presente em toda a planificação do desenvolvimento. A nossa agricultura tem de ser resiliente, a pesca tem de ser resiliente e os investimentos públicos devem considerar os riscos climáticos”, sublinhou.
“A nossa visão é trazer a componente da adaptação para a agricultura, energia, transportes, recursos minerais e outros sectores estratégicos. Já não podemos dissociar o desenvolvimento económico da realidade das mudanças climáticas”
Sónia Muando
Entre as iniciativas em curso, destacou a construção de infra-estruturas resilientes, como sistemas de abastecimento de água, escolas, unidades sanitárias e pontes, além da implementação de 142 Planos Locais de Adaptação às Mudanças Climáticas, destinados a orientar comunidades e distritos na resposta aos impactos climáticos.
A directora revelou ainda que o País está a preparar projectos para aceder ao Fundo para Perdas e Danos, mecanismo internacional criado para apoiar países afectados por eventos climáticos extremos. “Moçambique está agora a desenhar projectos para beneficiar deste fundo e implementar acções concretas de resiliência climática”, disse.
Sónia Muando considerou igualmente que os resultados da COP30 representam um sinal encorajador para os países mais vulneráveis, destacando o compromisso internacional de reforçar o financiamento climático até 2035, através do Roteiro Baku-Belém, iniciativa que prevê mobilizar cerca de 1,3 bilião de dólares anuais para os países em desenvolvimento.
“Embora os mecanismos concretos ainda estejam em definição, países vulneráveis como Moçambique encontram-se entre os principais beneficiários potenciais deste esforço internacional”, afirmou.
A responsável defendeu também uma participação mais activa dos países africanos nas negociações globais sobre o clima. “Não podemos ser apenas espectadores nas conferências. Temos de apresentar posições, defender os interesses nacionais e contribuir para as posições comuns africanas”, declarou.
Apesar de ter uma contribuição reduzida para as emissões globais de gases de efeito estufa, Moçambique continua entre os países mais afectados pelos impactos das alterações climáticas. Por isso, Sónia Muando apelou ao reforço do apoio internacional em financiamento, tecnologia e capacitação institucional. “Precisamos de financiamento, tecnologia e capacitação para aumentar a resiliência das comunidades e proteger o desenvolvimento do País”, concluiu.

