Os dados constantes do Purchasing Managers Index™ (PMI) do Standard Bank mostram que no mês de Maio o sector privado manteve-se em território de contracção, com as empresas a enfrentarem desafios contínuos devido à escassez de combustível no mercado interno, frisando que os gastos dos consumidores diminuíram, enquanto a produção e as cadeias de abastecimento foram interrompidas em algumas empresas.
De acordo com o estudo, o impacto nas condições operacionais levou a uma perda de confiança empresarial, com o sentimento a atingir o seu nível mais baixo desde Novembro de 2016. “O índice PMI situou-se nos 49,9 em Maio, ligeiramente superior aos 49,8 de Abril, mas mantendo-se pouco abaixo do limiar neutro crítico de 50,0. Este valor indicou uma ligeira deterioração na saúde do sector privado, marcando o segundo mês consecutivo de contracção.”
O relatório, citado pelo Club of Mozambique, recordou que indicadores do PMI acima dos 50 pontos apontam para uma melhoria das condições empresariais face ao mês anterior, enquanto valores abaixo desse nível sinalizam deterioração da actividade.
Segundo o documento, o cenário de procura permaneceu difícil para as empresas, com novas encomendas em queda pelo segundo mês consecutivo, embora em ritmo moderado. A falta de combustível foi um tema recorrente nos relatórios, restringindo tanto a capacidade produtiva como o poder de compra dos clientes.
A deterioração da carteira de encomendas resultou numa redução da produção, com empresas a registar cortes mensais consecutivos na actividade pela primeira vez desde Janeiro de 2025. A taxa de contracção permaneceu, contudo, marginal, tendo sido impulsionada pelos sectores de serviços, agricultura, venda por grosso e a retalho. Em contrapartida, as empresas de construção e manufactura aumentaram a produção em resposta ao crescimento das vendas.
“O emprego continuou a crescer em Maio, estendendo a sequência de criação de postos de trabalho para 12 meses. No entanto, o ritmo de contratações diminuiu e permaneceu relativamente moderado, dado que a queda nas vendas levou algumas empresas a reduzirem o número de trabalhadores. A acumulação de trabalho pendente aumentou ligeiramente, pela primeira vez desde Outubro de 2025, devido a interrupções no fornecimento e atrasos nos pagamentos de clientes, embora a fraca procura tenha libertado capacidade em algumas empresas”, avançou o índice.
De acordo com o documento, os custos de aquisição aumentaram ao ritmo mais rápido em três meses, impulsionados principalmente pelas pressões sobre os preços dos combustíveis, embora o ritmo se tenha mantido moderado em comparação com os padrões históricos. “A inflação dos preços de produção caiu para o nível mais baixo em dez meses, à medida que as empresas procuravam equilibrar a necessidade de repercutir os aumentos de custos com a fraca procura dos clientes”, descreveu.
Citado no estudo, o economista-chefe do Standard Bank Moçambique, Fáusio Mussá, observou que o subíndice de emprego se mantém acima da marca de 50 desde Junho de 2025, “sugerindo que os empregos continuaram a crescer, o que pode muito bem reflectir alguma recuperação das consequências pós-eleitorais e o progresso na construção no local da instalação de gás natural liquefeito (GNL) em Afungi, para o projecto da Área 1, retomado em Janeiro pela TotalEnergies na província de Cabo Delgado.”
“No entanto, o sentimento empresarial deteriorou-se ainda mais, com o subíndice de expectativas futuras do PMI a registar o nível mais baixo em quase uma década. O conflito no Médio Oriente fez com que os preços locais dos combustíveis nos postos de abastecimento subissem em Maio, o que aumenta os riscos de inflação”, afirmou.
O responsável destacou que a inflação, registada em 4,4% em Abril em termos homólogos, deverá continuar a subir, condicionada pelos ajustamentos nos preços dos combustíveis.

