A consultora Oxford Economics reviu em alta a previsão de inflação para Moçambique, apontando agora para uma subida de preços na ordem dos 7,7% este ano, impulsionada pelos efeitos do conflito no Médio Oriente, informou a agência Lusa.
Segundo os analistas, a decisão do Banco de Moçambique de manter as taxas de juro inalteradas em Março é considerada prudente, reflectindo preocupações acrescidas com a estabilidade dos preços num contexto internacional adverso.
Num relatório recente, a consultora refere que a decisão surge “na sequência do ataque ao Irão pelos EUA e por Israel no final de Fevereiro”, destacando ainda os impactos do eventual encerramento do Estreito de Ormuz no comércio global e nos preços do petróleo.
A Oxford Economics antecipa igualmente uma desvalorização significativa do metical até meados do ano, associada ao programa em negociação com o Fundo Monetário Internacional.
De acordo com os analistas, “esta desvalorização exercerá uma pressão ascendente sobre os preços através do efeito de transmissão da taxa de câmbio”, contribuindo para o aumento da inflação.
A nova previsão representa uma revisão expressiva face à estimativa anterior de 4,8%, já acima da inflação média registada em 2024, que se fixou em cerca de 4,15%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.
Para conter a subida dos preços, a consultora estima que o banco central poderá elevar a taxa de juro de referência para 10,4% até ao final do ano.
Esta desvalorização exercerá uma pressão ascendente sobre os preços através do efeito de transmissão da taxa de câmbio
Oxford Economics
Por seu turno, o Governo mantém uma previsão de inflação na ordem dos 7% para 2025, alinhada com as projecções para o ano seguinte.
Em Março, o Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária em 9,25%, interrompendo uma série de cortes iniciada em Janeiro de 2024.
Na altura, o governador do banco central, Rogério Zandamela, justificou a decisão com o “agravamento substancial” dos riscos associados às perspectivas de inflação.
Zandamela destacou, entre os principais factores, o impacto do conflito no Médio Oriente sobre as cadeias logísticas e os preços de produtos energéticos e alimentares, elementos que têm pressionado em alta as expectativas inflacionistas no País.
Num cenário de maior incerteza externa, há analistas que consideram que a trajectória da inflação em Moçambique continuará dependente da evolução dos preços internacionais e da estabilidade cambial.

