O Programa Alimentar Mundial (PAM) entregou cerca de 52,9 milhões de toneladas de alimentos, entre Janeiro e Fevereiro, para ajudar na assistência nutricional em zonas afectadas por inundações e conflitos armados em Moçambique.
“O PAM apoiou o Governo na rápida expansão da assistência nutricional nas zonas afectadas por inundações e conflitos, entregando 52,9 milhões de toneladas de alimentos nutritivos a unidades de saúde de cinco províncias, protegendo as crianças pequenas, mulheres grávidas e lactantes da malnutrição”, referiu um relatório.
De acordo com aquela agência das Nações Unidas, o apoio prestado ajudou a salvaguardar períodos críticos do desenvolvimento infantil, acrescentando que, no mesmo período, actividades de prevenção da malnutrição efectuadas na província de Sofala, na região centro, permitiram distribuir sementes a quase 1800 famílias.
“No entanto, as fortes chuvas e inundações danificaram culturas e árvores de fruto, prejudicando os meios de subsistência e revertendo os recentes avanços na produção de alimentos”, avançou o PAM, alertando também que Moçambique continua a enfrentar uma crise humanitária multidimensional, impulsionada por choques climáticos, conflitos e vulnerabilidade socioeconómica.
A entidade avançou ainda que, embora as águas das cheias dos últimos meses em Moçambique estejam a baixar e o regresso da população esteja em curso, as necessidades humanitárias continuam elevadas, uma vez que as famílias começam a recuperar e as autoridades planeiam o encerramento faseado dos centros de acolhimento.
“Em coordenação com o Governo, 120 mil pessoas deslocadas receberam alimentos adquiridos localmente através de cozinhas comunitárias em centros de acolhimento e em comunidades isoladas, tendo recebido ‘kits’ para 30 dias para apoiar o seu regresso”, refere-se no documento.

Ao mesmo tempo, aquela agência da ONU alertou que a situação de segurança no norte de Moçambique continua instável, com ataques contínuos de grupos armados não estatais que provocam deslocações nas províncias de Cabo Delgado e Nampula.
“Em Fevereiro, a insegurança ligada aos grupos armados não estatais interrompeu a vida quotidiana e as rotas de abastecimento no norte de Moçambique, restringindo a circulação e limitando o acesso a bens essenciais em algumas zonas. Apesar das restrições de acesso e das más condições das estradas, o PAM chegou a 410 645 pessoas com assistência alimentar”, concluiu.
Recentemente, o Programa Alimentar Mundial anunciou que necessita de 32 milhões de dólares para prestar apoio alimentar e nutricional às vítimas das cheias em Moçambique.
A directora nacional e representante do PAM em Moçambique, Claire Conan, disse que a organização tem equipas técnicas prontas para “intensificar rapidamente” a assistência alimentar e nutricional às famílias, mas as operações continuam condicionadas por falta de financiamento.
“Temos as equipas, a logística e a competência para intensificar rapidamente a assistência alimentar e nutricional às famílias afectadas pelas cheias em Moçambique. No entanto, a falta de financiamento está a restringir a nossa capacidade de apoiar o número crescente de pessoas que precisam de apoio”, declarou Conan, citada num comunicado.
A responsável referiu ainda que as cheias que afectam o País são tanto uma emergência como uma ameaça à segurança alimentar a longo prazo, à medida que duplicou o número de pessoas afectadas pela crise e que precisam do apoio do PAM em todo o território nacional.
“Grandes áreas de terras agrícolas ficaram submersas, o que irá afectar as colheitas vindouras e, provavelmente, levará à escassez de alimentos e ao aumento dos preços. Apelamos à comunidade internacional que apoie tanto a resposta imediata como as iniciativas de segurança alimentar a longo prazo no País”, sublinhou a directora.
