Plano Humanitário Para o Norte de Moçambique Exige 348 Milhões de Dólares, Alerta ONU • Diário Económico

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O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) divulgou o Plano de Necessidades e Resposta Humanitária (HNRP) para 2026, no qual revela a necessidade de 348 milhões de dólares para assistir, de forma urgente, cerca de 1,1 milhão de moçambicanos afectados pelos conflitos na região Norte.

Num comunicado, a agência das Nações Unidas clarifica que, do total de afectados, 919 mil são considerados de alta prioridade e residem em zonas classificadas como de alto nível de gravidade, salientando que, ao todo, serão abrangidos distritos das províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa.

“Até ao final de Fevereiro, o programa havia fornecido alguma assistência, incluindo ajuda alimentar a 314 mil pessoas, enquanto 73 mil crianças tiveram acesso a serviços de educação, nutrição e protecção infantil”, descreveu.

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A entidade avançou que, neste momento, doadores internacionais contribuíram com 103,6 milhões de dólares para o HNRP. “A lacuna de financiamento foi agravada por um adicional de 187 milhões de dólares necessários para mitigar o impacto das inundações durante a actual estação chuvosa”, elucidou.

Em Fevereiro, o Fundo de Resposta de Emergências da Organização das Nações Unidas (CERF, sigla em inglês) informou que ter mobilizado, desde Janeiro, cinco milhões de dólares para mitigar as consequências das cheias que afectaram as províncias de Maputo e Gaza, na região Sul de Moçambique.

A entidade explicou que as verbas foram utilizadas para fornecer abrigos e assistência de emergência às populações deslocadas e que resultaram de doações estrangeiras, salientando que, só em Janeiro, mais de 100 mil pessoas chegaram a estar distribuídas nos 110 centros de acomodação criados.

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A ONU alertou para o impacto profundo que as cheias estão a causar, sublinhando a existência de necessidades urgentes de protecção

O Governo previu a necessidade de, pelo menos, 644 milhões de dólares para reparar os danos provocados pelas chuvas intensas, que resultaram em cheias e inundações em várias regiões do País, com maior incidência nas zonas Centro e Sul.

Entre os principais prejuízos, destacam-se os danos em cerca de três quilómetros da Estrada Nacional Número 1 (N1), a principal via rodoviária que liga Moçambique de norte a sul, situação que agravou as dificuldades de circulação de pessoas e de escoamento de bens essenciais.

No final do ano passado, o Executivo aprovou o plano de contingência nacional para a época chuvosa 2025-26 avaliado em 14 mil milhões de meticais. No entanto, admitiu dispor apenas de 6 mil milhões de meticais da verba necessária.

Moçambique está em plena época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes. O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão.

Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.

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