O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou, em Xining, que Moçambique poderá beneficiar da cooperação com empresas chinesas nos domínios do controlo de cheias, reabilitação de infra-estruturas rodoviárias e expansão da capacidade energética, na sequência de visitas efectuadas a unidades industriais e centros tecnológicos naquela região.
Durante a deslocação à província de Qinghai, o chefe do Estado visitou o Qinghai Clean Energy and Green Computing Power Dispatching Centre, bem como infra-estruturas industriais ligadas à construção e à produção de energias renováveis, incluindo unidades dedicadas à energia solar, eólica e hídrica. As visitas permitiram ao governante inteirar-se dos modelos tecnológicos e de gestão adoptados, com enfoque na integração entre sustentabilidade ambiental e geração de valor económico.
Falando à margem das visitas, Daniel Chapo apontou o controlo das águas como um dos principais desafios estruturais do País, sobretudo face à recorrência de eventos climáticos extremos que afectam infra-estruturas críticas. “Em Moçambique, também temos o desafio do controlo das águas. Tivemos agora cheias e inundações que destruíram estradas, principalmente a nossa Estrada Nacional Número 1 (N1)”, afirmou.
O Presidente referiu igualmente a necessidade de avançar com projectos estruturantes, destacando a importância da construção da Barragem de Mapai, na província de Gaza, como uma solução relevante para mitigar o impacto das cheias. Segundo disse, as capacidades técnicas observadas nas empresas chinesas poderão contribuir para a realização de estudos e implementação de infra-estruturas adequadas. “Achamos que a empresa tem capacidade de fazer um estudo do controlo das águas e construirmos barragens nos locais certos”, acrescentou.
No que respeita às infra-estruturas rodoviárias, o chefe do Estado voltou a sublinhar a vulnerabilidade da N1, principal eixo de ligação do País, particularmente durante a época chuvosa. De acordo com o mesmo, as chuvas intensas, sobretudo entre Janeiro e Março, associadas à localização geográfica de Moçambique, continuam a provocar a degradação recorrente da via, mesmo após intervenções de reabilitação. “É uma das nossas grandes preocupações, e acreditamos que estas empresas podem ajudar-nos a construir esta estrada da forma mais correcta”, afirmou.
O Presidente destacou ainda o modelo integrado de desenvolvimento energético observado em Qinghai, que combina produção de energia com práticas sustentáveis e inclusão social. Segundo explicou, um dos aspectos mais relevantes é a participação directa das comunidades locais no sector energético, através da aquisição de participações em pequenas centrais hídricas, que posteriormente comercializam energia junto de grandes empresas.
“O que mais nos impressionou foi o facto de juntar o ambiente e, ao mesmo tempo, produzir energia. Aquilo que poderia ser visto como dificuldade foi transformado em riqueza”, referiu, acrescentando que este modelo gera rendimento para as populações, contribuindo para a dinamização das economias locais.
Na ocasião, Daniel Chapo reiterou a intenção de Moçambique em replicar experiências semelhantes, com vista ao reforço da produção energética diversificada e sustentável. “Vamos levar esta experiência para Moçambique e continuar a trabalhar para construir mais centrais eléctricas, solares e eólicas”, disse.

