O Fundo Monetário Internacional (FMI) planeia visitar Moçambique nos próximos meses, numa altura em que o País enfrenta um aumento das pressões da dívida pública e limitações no financiamento interno, procurando reforçar as suas finanças, actualmente fragilizadas.
Segundo a porta-voz do organismo, Julie Kozack, “é provável que uma equipa do fundo se desloque a Maputo, nos próximos meses, para avaliar os desenvolvimentos económicos recentes e as políticas adoptadas pelo Governo”.
O anúncio surge num contexto de agravamento do risco associado à dívida soberana. Nesta terça-feira (24), o ‘spread’ de Moçambique situava-se em 1304 pontos-base, de acordo com dados do JPMorgan, um nível geralmente associado a sérias dificuldades financeiras.
Este indicador reflecte a crescente pressão sobre a economia nacional e a percepção de risco elevado por parte dos investidores internacionais, num momento em que o País enfrenta restrições no acesso a financiamento.
O anterior programa do FMI para Moçambique terminou prematuramente em Abril de 2025, estando o Governo actualmente em negociações com a instituição para a implementação de um novo programa de apoio financeiro.
De acordo com o fundo, espera-se que estas negociações avancem durante as Reuniões de Primavera do FMI e do Banco Mundial, que terão lugar em Washington no mês de Abril.
Em Fevereiro, o FMI defendeu que Moçambique devia reforçar as reformas de governação para garantir uma gestão eficaz do Fundo Soberano de Moçambique (FSM), apesar de reconhecer que a sua estrutura já está alinhada com boas práticas internacionais.
Nas conclusões das consultas anuais divulgadas a 19 de Fevereiro, o organismo sublinhou que “o reforço das reformas de governação será essencial para preservar a integridade do FSM e assegurar uma utilização eficiente das receitas provenientes dos recursos naturais”.
Fonte: Reuters

