O ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, afirmou esta segunda-feira (1), em Seul, que a modernização da agricultura, a promoção da digitalização e a exploração sustentável dos recursos minerais e hidrocarbonetos constituem prioridades centrais da Estratégia Nacional de Desenvolvimento de Moçambique para o período 2025-44. A declaração foi feita durante a Reunião de Ministros dos Negócios Estrangeiros Coreia-África 2026.
De acordo com um comunicado oficial, a Reunião de Ministros dos Negócios Estrangeiros Coreia-África 2026 decorre em Seul, na República da Coreia, entre 31 de Maio e 2 de Junho, reunindo representantes de 54 países africanos e organizações regionais. Trata-se da primeira reunião ministerial independente do género organizada pelo Governo sul-coreano, tendo como objectivos o aprofundamento das relações económicas, a expansão do comércio, a diversificação das cadeias de abastecimento e a promoção de respostas conjuntas aos desafios globais.
Na sua intervenção, o governante começou por assinalar que “as relações bilaterais com a República da Coreia atravessam actualmente um momento de excelência, caracterizado pelo aprofundamento da cooperação económica, tecnológica, infra-estrutural e de desenvolvimento humano”.
Referindo-se ao tema da reunião, “Respostas Conjuntas aos Desafios Globais: Solidariedade Coreia-África”, Valá considerou que o contexto internacional continua marcado por “múltiplos desafios, incluindo conflitos geoestratégicos, mudanças climáticas, pobreza e insegurança alimentar, tensões económicas e comerciais, transição energética e rápidas transformações tecnológicas”.
“Nenhum país poderá enfrentar estes desafios isoladamente. Por isso, a solidariedade entre a Coreia e África reveste-se de importância estratégica e de longo alcance”, declarou.
O ministro acrescentou que Moçambique congratula “os progressos alcançados no âmbito das respostas conjuntas aos desafios globais desde a realização da Cimeira Coreia-África de 2024”, destacando iniciativas ligadas à energia, minerais críticos, integração económica, segurança marítima e desenvolvimento sustentável.
Segundo Valá, “Moçambique considera particularmente relevante o aprofundamento da cooperação nos sectores da energia, minerais críticos, industrialização sustentável, infra-estruturas, agricultura e transformação económica”. Acrescentou ainda que “a cooperação na área do gás natural e na valorização sustentável dos recursos energéticos demonstra o potencial desta parceria para impulsionar a industrialização, a criação de emprego e a transferência de conhecimento técnico e tecnológico”.
Durante o discurso, o governante recordou igualmente a participação de Moçambique no Fórum Global sobre Parceria para a Eficácia da Cooperação para o Desenvolvimento, realizado em Seul, ocasião em que o País reafirmou o compromisso com a Agenda 2030 das Nações Unidas e identificou desafios persistentes como as mudanças climáticas, fragilidades institucionais, financiamento fragmentado, pressão demográfica jovem, exclusão digital e elevados níveis de endividamento.
Valá destacou ainda o apoio da República da Coreia em áreas como energias renováveis, electrificação rural, gestão de recursos hídricos e adaptação às mudanças climáticas. “As iniciativas em curso nas áreas da energia solar, dos sistemas de alerta precoce e da gestão sustentável dos recursos naturais têm contribuído positivamente para o fortalecimento da resiliência climática das nossas comunidades”, afirmou.

O ministro acrescentou que “Moçambique está apostado em prosseguir a cooperação com a República da Coreia em áreas emergentes como o hidrogénio verde, a inovação tecnológica, a transformação digital e a capacitação e empoderamento da juventude, eixos vitais para fortalecer a nossa agenda de desenvolvimento sustentável”.
Numa referência directa às prioridades nacionais, afirmou que “a Estratégia Nacional de Desenvolvimento de Moçambique (2025-44) aponta como prioridades de primeira linha a modernização da agricultura, a promoção da digitalização (em diversos sectores e domínios) e a exploração sustentável dos recursos minerais e hidrocarbonetos, como factores catalisadores do desenvolvimento económico e humano”.
O governante destacou igualmente “a participação do investimento coreano, particularmente das companhias Kogas, Daewoo e Samsung, no Projecto de Exploração do Gás Natural Liquefeito da Área 4 da bacia do Rovuma”, bem como a cooperação em iniciativas de transformação digital e no âmbito da Iniciativa de Cooperação Alimentar Agrícola Coreia-África (KAFACI).
Sobre a empresa Daewoo, salientou que o interesse no estabelecimento de fábricas de fertilizantes em Moçambique representa “uma importante iniciativa que abrange a combinação do processamento do gás natural no País, o fomento da indústria transformadora e o incremento da produtividade da agricultura, além da possibilidade de exportar os fertilizantes para os países vizinhos”.
Valá manifestou ainda o interesse de Moçambique em continuar a colaborar com o Korean Exim Bank “para viabilizar o financiamento concessional de mil milhão de dólares no âmbito do Acordo Quadro de Financiamento 2024-28, assinado em 2024”.
No encerramento da sua intervenção, reiterou “o firme cometimento da República de Moçambique com o fortalecimento da Parceria Estratégica entre África e a República da Coreia”, e defendeu que “através da solidariedade, do diálogo e da cooperação económica mutuamente vantajosa, seremos capazes de construir um futuro mais próspero para os nossos povos”.
