A organização não-governamental Save the Children estimou que mais de 230 mil crianças em Moçambique ficaram privadas de educação desde o início do ano, devido às cheias e chuvas intensas que já provocaram 239 mortos na presente época chuvosa, informou esta quarta-feira, 25 de Fevereiro, a agência Lusa.
Em comunicado, a directora nacional da organização, Ilaria Manunza, afirmou que as crianças do sul do País estão “na linha da frente da crise climática”, enfrentando a destruição de escolas e a interrupção das aulas. Segundo a responsável, as inundações sucessivas agravaram uma situação já frágil, numa altura em que a época ciclónica ainda decorre.
A ONG estima que mais de 430 escolas foram afectadas pelas cheias, das quais pelo menos 840 salas de aula ficaram totalmente destruídas por ventos fortes e inundações. Em vários casos, as infra-estruturas escolares passaram a ser utilizadas como centros de acolhimento para famílias deslocadas.
O arranque oficial do ano lectivo de 2026 estava previsto para 30 de Janeiro, mas o Governo adiou o início para 27 de Fevereiro devido às inundações generalizadas. Ainda assim, a organização alerta que muitas escolas necessitam de reparações profundas, limpeza e desinfecção, não sendo claro se todos os alunos conseguirão regressar às aulas.
Dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que 868 593 pessoas foram afectadas na actual época chuvosa, correspondendo a 200 739 famílias. O balanço inclui 12 desaparecidos e 331 feridos, além de 239 mortos, mais quatro do que o registado no dia anterior.
As cheias de Janeiro afectaram mais de 724 mil pessoas e causaram, pelo menos, 27 mortes. Já a passagem do ciclone Gezani, nos dias 13 e 14 de Fevereiro, impactou sobretudo a província de Inhambane, provocando quatro mortos e afectando mais de nove mil pessoas.
Desde Outubro, o INGD activou 149 centros de acomodação, que acolheram 113 478 pessoas, mantendo actualmente 41 centros em funcionamento, com cerca de 33 905 deslocados.
A Save the Children alerta que o aumento do número de crianças fora da escola eleva o risco de perdas prolongadas de aprendizagem e abandono escolar definitivo, num país já fortemente vulnerável aos impactos das mudanças climáticas.

