A economia moçambicana continua condicionada pela escassez de moeda externa, apesar das perspectivas positivas associadas aos investimentos em gás natural, alertou esta quarta-feira (20) o economista-chefe Fáusio Mussá, durante a apresentação do Africa Trade Barometer do Standard Bank, realizada em Maputo.
Segundo o economista, o País atravessa actualmente um período económico difícil, marcado por limitações cambiais, fraco apoio fiscal e crescimento desigual entre os sectores extractivos e o restante tecido empresarial nacional. “Moçambique está a atravessar um período difícil do ponto de vista económico”, afirmou.
Fáusio Mussá reconheceu, contudo, que existem sinais positivos relacionados com os grandes investimentos ligados ao gás natural, os quais continuam a impulsionar o investimento estrangeiro no País. “Existem perspectivas fortes de crescimento, sobretudo na economia ligada ao progresso dos projectos de gás natural”, declarou.
Segundo explicou, os elevados níveis de investimento directo estrangeiro registados nos últimos anos reflectem sobretudo a dinâmica do sector extractivo. “Quando olhamos para os níveis robustos de investimento estrangeiro, o gás natural explica uma parte importante desse movimento”, afirmou.
Apesar disso, o economista considera que a economia nacional continua vulnerável devido à insuficiente disponibilidade de divisas para responder às necessidades do mercado. “O País ainda não gera moeda externa suficiente para a economia funcionar normalmente”, alertou.
Na sua análise, um dos principais constrangimentos actuais continua a ser a limitação no acesso à moeda estrangeira para financiar operações de comércio externo e garantir importações essenciais. “Se considerarmos um dos aspectos apontados pelo relatório, que é o acesso limitado à moeda externa para o comércio internacional, percebemos que este continua a ser um grande desafio”, afirmou.
Fáusio Mussá advertiu ainda que o crescimento económico poderá continuar concentrado nos sectores ligados ao gás natural, enquanto o restante tecido económico permanece fragilizado. “Eu não ficaria surpreendido se vivêssemos um cenário em que o crescimento da economia fora da indústria extractiva permanecesse fraco”, declarou.
Segundo explicou, esta situação resulta sobretudo do fraco apoio fiscal e das dificuldades persistentes de liquidez na economia. “Estes seriam os dois principais constrangimentos da economia, mesmo com os projectos de gás natural”, acrescentou.
As declarações foram feitas durante o painel “Da Informação à Acção – Oportunidades para o Crescimento do Comércio Africano”, realizado no âmbito da apresentação do Africa Trade Barometer do Standard Bank.
O debate foi moderado por Clóves Muluana, especialista de Comércio Internacional e Capital de Exploração do Standard Bank Moçambique, e contou ainda com as participações de Kudzai Guvi, responsável pela Inteligência de Mercado da Banca Comercial e de Negócios do Grupo Standard Bank, Leonel Moniquela, especialista em Operações de Comércio Internacional na Área da Banca de Investimento e Empresas, e Donald Larson, director-executivo da Sunshine Nut Company.
O evento reuniu representantes do sector bancário, empresários, investidores e especialistas em comércio internacional para discutir os desafios estruturais da economia africana, as limitações ao comércio intra-africano e as oportunidades de crescimento associadas aos investimentos estratégicos no continente.
Texto: Felisberto Ruco
