O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) anunciou ter alocado, só neste ano, cerca de 98 milhões de dólares em financiamento emergencial para apoiar pessoas afectadas por conflitos armados e desastres naturais em Moçambique.
De acordo com uma declaração da coordenadora humanitária da ONU, Catherine Sozi, o País enfrenta múltiplos desafios interligados, como a violência contínua no norte, associada a ataques de grupos armados e, ao mesmo tempo, as graves cheias dos últimos meses que deixaram infra-estruturas destruídas, condicionando serviços essenciais às populações afectadas.
“A verba inclui 83,3 milhões de dólares do Fundo Humanitário para a África Oriental e Austral (ESAHF) e 14,5 milhões de dólares do Fundo Central de Resposta a Emergências das Nações Unidas (CERF), ambos geridos pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários”, disse a responsável, citada numa publicação da Lusa.
Segundo aquela agência da ONU, o financiamento ajudará a satisfazer as necessidades urgentes, incluindo alimentos para as famílias que perderam as suas culturas e rendimentos, água potável para as comunidades onde as fontes de água foram inundadas ou contaminadas e assistência médica para as pessoas sem acesso a serviços básicos.
O montante também ajudará a providenciar abrigo de emergência e assistência essencial às pessoas que tenham perdido as casas, com foco na protecção das mulheres, crianças e pessoas em risco de violência.
“Nas províncias de Cabo Delgado e Nampula, norte do país, a assistência terá como alvo os distritos de Macomia, Mueda, Nangade, Quissanga, bem como Eráti e Memba, afectados pelos ataques de extremistas. No Centro e Sul de Moçambique, regiões mais afectadas pelas cheias e inundações de Janeiro, o apoio vai concentrar-se nos distritos de Chókwè, Guijá, Massingir e Chibuto, na província de Gaza, Buzi, em Sofala, e Manhiça e Magude, na província de Maputo, onde as comunidades continuam a recuperar dos desastres recentes”, descreveu.
Catherine Sozi afirmou que, numa altura de significativa pressão económica, este financiamento é crucial para salvar vidas, reduzir o sofrimento, restabelecer o acesso à água potável e ao saneamento básico, prevenir surtos de doenças e garantir que as famílias possam satisfazer as suas necessidades básicas.
“Este financiamento contribuirá para o Plano de Resposta e Necessidades Humanitárias de 2026, que requer 534 milhões de dólares para chegar a 1,7 milhão de pessoas com assistência humanitária em todo o País”, concluiu.

