Os bancos BCI e Millennium bim lideraram o número de reclamações apresentadas pelos consumidores bancários moçambicanos em 2025, num período em que o sector financeiro registou 1103 queixas, segundo dados do Banco de Moçambique (BdM).
De acordo com a Lusa, que cita o relatório do banco central relativo ao segundo semestre de 2025, o Banco Comercial de Investimentos (BCI), participado pela portuguesa Caixa Geral de Depósitos, contabilizou 168 reclamações entre Julho e Dezembro, depois de ter registado 211 no primeiro semestre. A instituição fechou o ano com um índice de reclamações de 6,8 e uma carteira de cerca de 2,4 milhões de clientes.
O Millennium bim, controlado pelo grupo português Millennium BCP, surge na segunda posição, com 84 reclamações no segundo semestre, contra 113 nos primeiros seis meses do ano. O banco contava com aproximadamente 2,2 milhões de clientes e apresentou um índice de reclamações de 5,2.
O relatório inclui igualmente operadores de serviços financeiros móveis, com destaque para a Vodacom M-Pesa, que registou 35 reclamações num universo de 13,9 milhões de clientes, e a M-Mola, com 20 reclamações e cerca de 10,9 milhões de utilizadores.
No total, o BdM recebeu 483 reclamações no segundo semestre de 2025, que se somam às 620 registadas entre Janeiro e Junho. Ainda assim, o número total de queixas ficou abaixo das 1788 reclamações contabilizadas em 2024, ano em que o sector atingiu um máximo histórico.
Segundo o banco central, 37% das reclamações recebidas no segundo semestre estiveram relacionadas com operações de crédito, correspondendo a 181 casos. Seguiram-se as reclamações sobre contas bancárias, com 103 ocorrências, o funcionamento de caixas automáticas ATM, com 100 casos, e transferências, com 36 reclamações.
Dados anteriores do BdM indicam que o sistema financeiro nacional conta actualmente com 15 bancos comerciais, 14 microbancos, quatro cooperativas de crédito, 13 organizações de poupança e empréstimo e mais de 2300 operadores de microcrédito.
O Banco de Moçambique deu razão a 85% das reclamações apresentadas pelos consumidores financeiros em 2024, obrigando as instituições visadas a devolver aproximadamente 18 milhões de meticais cobrados indevidamente aos clientes.
