O investimento directo português em Moçambique ultrapassa actualmente os 2,1 mil milhões de euros, consolidando o País como um dos principais destinos do capital português a nível internacional, revelou esta terça-feira (9), o ministro Adjunto e para a Reforma do Estado de Portugal, Gonçalo Saraiva Matias.
A informação foi avançada durante a abertura do 2.º Fórum de Negócios Moçambique–União Europeia (Global Gateway), que decorre entre 9 e 10 de Junho, em Maputo, reunindo representantes governamentais, empresários, investidores, instituições financeiras e parceiros de desenvolvimento.
Segundo o governante português, Moçambique figura actualmente entre os oito principais destinos do investimento português no mundo, reflectindo uma relação económica construída ao longo de décadas e sustentada por laços históricos, culturais e empresariais. “Mais de 400 empresas portuguesas estão presentes no mercado moçambicano em sectores tão diversos como banca, telecomunicações, distribuição farmacêutica, energia e infra-estruturas. São a prova concreta desta confiança de longo prazo”, afirmou.
Gonçalo Saraiva Matias sublinhou que as empresas portuguesas não apenas mantiveram a sua presença no País, como reforçaram o seu compromisso com a economia moçambicana, contribuindo para a criação de emprego e para o desenvolvimento do tecido empresarial local. O governante destacou igualmente a evolução recente das relações comerciais entre os dois países, indicando que as exportações portuguesas para Moçambique cresceram cerca de 14% nos primeiros dois meses de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Segundo explicou, este desempenho reflecte a dinâmica das relações económicas bilaterais e a crescente confiança dos agentes económicos nas perspectivas da economia moçambicana. “Este dinamismo reflecte directamente as reformas em curso e a estabilidade que o Governo do Presidente Daniel Chapo tem vindo a consolidar, bem como a confiança renovada que Moçambique inspira aos parceiros internacionais”, afirmou.
O ministro português referiu ainda que as empresas portuguesas exportam anualmente serviços para Moçambique avaliados em cerca de 510 milhões de euros, números que, segundo considerou, demonstram a profundidade das relações económicas entre os dois países.
Para Gonçalo Saraiva Matias, Portugal e Moçambique possuem condições para aprofundar ainda mais a cooperação económica, beneficiando da complementaridade das suas economias, da proximidade linguística e cultural e da experiência acumulada ao longo de vários anos de parceria. “As relações económicas acompanham a maturidade política da nossa parceria e posso dizer que o melhor ainda está por vir”, afirmou.
Durante a sua intervenção, o governante destacou também o papel da iniciativa Global Gateway, estratégia da União Europeia destinada a mobilizar investimentos em infra-estruturas sustentáveis, energia, conectividade digital, transportes, educação e saúde.
Segundo explicou, a União Europeia prevê mobilizar até 300 mil milhões de euros a nível mundial até 2027, colocando África entre as regiões prioritárias desta estratégia. “No caso de Moçambique, esta visão traduz-se em investimentos estratégicos em sectores como energia, transportes, conectividade digital, agro-negócio e educação”, referiu.
De acordo com o responsável, estes investimentos têm potencial para impulsionar o crescimento liderado pelo sector privado, promover a integração regional, criar emprego e reforçar a resiliência económica.
Gonçalo Saraiva Matias considerou ainda que o desenvolvimento sustentável exige não apenas investimento em infra-estruturas, mas também reformas institucionais, modernização da administração pública e melhoria contínua do ambiente de negócios. O governante reiterou que Portugal continuará a apoiar o aprofundamento das relações económicas com Moçambique, defendendo uma parceria orientada para a criação de valor, crescimento inclusivo e desenvolvimento sustentável.
O 2.º Fórum de Negócios Moçambique-União Europeia reúne durante dois dias representantes dos governos de Moçambique e da União Europeia, empresários, investidores, bancos de desenvolvimento, instituições financeiras e parceiros de cooperação para debater oportunidades de investimento, financiamento, industrialização e desenvolvimento económico sustentável.
Texto: Felisberto Ruco

