Moçambique recebeu cerca de 81 milhões de euros em investimentos provenientes da União Europeia (UE) entre 2021 e 2025, anunciou esta terça-feira (9), a Agência para a Promoção de Investimentos e Exportações (APIEX), que defendeu um reforço da participação europeia nos sectores estratégicos da economia nacional.
A informação foi avançada durante o 2.º Fórum de Negócios Moçambique-União Europeia (Global Gateway), que decorre entre 9 e 10 de Junho, em Maputo, reunindo representantes governamentais, empresários, investidores, instituições financeiras e parceiros de desenvolvimento.
Segundo António Macamo, assessor da direcção da APIEX, Moçambique aprovou cerca de 15,5 mil milhões de euros em investimentos nos últimos cinco anos, dos quais aproximadamente 81 milhões tiveram origem na União Europeia. “O que aconteceu nos últimos cinco anos? Foram aprovados cerca de 15,5 mil milhões de euros em investimentos, dos quais temos a União Europeia com cerca de 81 milhões de euros. Também nós, tal como a União Europeia, queremos que este nível de investimento possa aumentar, aproveitando os mercados preferenciais”, afirmou.
O responsável esclareceu que os números apresentados não incluem investimentos realizados nos sectores do petróleo e gás natural, nem nos recursos minerais, áreas que continuam a concentrar uma parcela significativa do investimento estrangeiro no País.
Durante a sua intervenção, António Macamo apresentou as principais vantagens competitivas de Moçambique, destacando a localização estratégica na costa do oceano Índico, a disponibilidade de recursos energéticos e minerais e a existência de corredores logísticos que ligam os portos nacionais aos mercados do interior da África Austral. Segundo a APIEX, o País reúne condições favoráveis para captar mais investimento europeu em sectores como agricultura, agro-indústria, pesca, aquacultura, logística, transportes, tecnologias de informação e comunicação e turismo.
O responsável defendeu igualmente uma maior aposta na industrialização e na transformação local de matérias-primas, alinhada com a estratégia do Governo de aumentar o valor acrescentado da produção nacional e criar mais oportunidades de emprego. “Temos recursos minerais, energéticos e hídricos, além de corredores de desenvolvimento que permitem ligar os portos aos mercados da região. Queremos que estes recursos sejam transformados em oportunidades concretas de investimento e desenvolvimento”, afirmou.
A agência destacou ainda as reformas económicas e legislativas implementadas nos últimos anos para melhorar o ambiente de negócios e aumentar a competitividade de Moçambique na atracção de investimento estrangeiro. Entre as prioridades do Executivo figuram a industrialização, a criação de emprego para a juventude e o fortalecimento do sector privado nacional.

Durante o fórum, a APIEX aproveitou igualmente para convidar empresários e investidores europeus a participarem na 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM), considerada a maior exposição multissectorial de bens e serviços do País. O evento está agendado para decorrer entre 31 de Agosto e 7 de Setembro e deverá reunir cerca de 2500 expositores nacionais, 650 expositores estrangeiros, representantes de 30 países e aproximadamente 55 mil participantes.
No mesmo painel, o coordenador do Projecto do Corredor de Desenvolvimento Integrado Pemba–Lichinga, Tunísio Camba, apelou ao investimento privado europeu para apoiar a implementação da zona especial de processamento agro-industrial criada no âmbito da iniciativa.
Segundo explicou, o projecto beneficiou, em 2022, de uma subvenção de cerca de 40,5 milhões de euros do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e prevê criar aproximadamente 90 mil empregos directos e indirectos até 2027. Para a concretização integral da iniciativa, será necessário mobilizar cerca de 86 milhões de euros em investimento privado adicional.
O projecto contempla oportunidades de investimento em actividades como processamento de soja, produção de rações, moagem de milho, processamento de macadâmia, abate de aves, cadeias de frio, processamento de batata e produção de farinha de trigo. Tunísio Camba sublinhou que a iniciativa pretende impulsionar o desenvolvimento económico do Norte do País através da criação de cadeias de valor agro-industriais capazes de aumentar a produção, gerar emprego e promover exportações.
O 2.º Fórum de Negócios Moçambique-União Europeia reúne durante dois dias representantes dos governos de Moçambique e da União Europeia, instituições financeiras internacionais, empresários, investidores e parceiros de cooperação para discutir oportunidades de investimento, industrialização, energia, conectividade digital e desenvolvimento económico sustentável.
Texto: Felisberto Ruco
