BdM: Crédito à Economia Com Ligeiro Recuo em Abril Após Máximos • Diário Económico

Dados do Banco de Moçambique (BdM) indicam que o ‘stock’ do crédito à economia moçambicana caiu quase 1% em Abril, para 291,3 mil milhões de meticais (3,9 mil milhões de euros), após dois meses consecutivos de crescimento até máximos históricos.

De acordo com o relatório estatístico do banco central, o volume verificado em Abril contrasta com os 284,5 mil milhões de meticais (3,8 mil milhões de euros) contabilizados no igual período de 2025, bem como com o pico de 293,3 mil milhões de meticais (3,9 mil milhões de euros) registado em Março deste ano.

Os números avançam que em Abril, o crédito a particulares, continuou a liderar, com 104,4 mil milhões de meticais (1,4 mil milhões de euros), seguido do sector dos transportes e comunicações, cujo total de crédito concedido pela banca caiu para 25,2 mil milhões de meticais (343 milhões de euros), o comércio, com 22,7 mil milhões de meticais (308 milhões de euros), e a indústria transformadora, com 21,5 mil milhões de meticais (292,4 milhões de euros).

Recentemente, a Associação Moçambicana de Bancos (AMB) anunciou a manutenção da taxa de juro de referência para o crédito em 15,50% durante o mês de Junho. Trata-se do segundo mês consecutivo sem alterações, após três reduções registadas desde o início deste ano.

Conhecida como ‘prime rate’, a taxa vinha a descer progressivamente desde Janeiro de 2024, depois de ter permanecido durante seis meses consecutivos no máximo de 24,1%. Em Janeiro deste ano, a AMB reduziu-a em 10 pontos base, fixando-a em 15,70%.

Em Fevereiro, a taxa manteve-se inalterada, apesar da redução da taxa directora decidida pelo Banco de Moçambique (BdM). Em Março e Abril registaram-se novos cortes de 10 pontos base, antes da estabilização observada em Maio e agora prolongada para Junho.

As variações da ‘prime rate’ estão ligadas à taxa MIMO, utilizada pelo BdM como principal instrumento de política monetária para controlar a inflação, influenciando directamente a fórmula de cálculo aplicada pelos bancos comerciais na definição do custo do créditoa

“Esta decisão decorre da prevalência de elevadas incertezas quanto à duração do conflito no Médio Oriente e ao seu impacto sobre a cadeia logística e a oferta de bens, assim como sobre os preços internacionais e domésticos dos combustíveis e dos alimentos”, explicou o governador do banco central, Rogério Zandamela, no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), realizada em Maputo.

O órgão decidiu manter a taxa MIMO inalterada, tal como já havia acontecido em Março, após 12 cortes consecutivos ao longo de 24 meses, iniciados em Janeiro de 2024. Adicionalmente, o CPMO aumentou o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional de 29% para 39% dos depósitos que os bancos comerciais devem manter junto do banco central. Segundo Zandamela, a medida visa “absorver a liquidez excedentária no sistema bancário, susceptível de gerar maior pressão inflacionária”.

O governador anunciou ainda que a previsão de inflação foi “revista em alta”. Em Abril, a inflação anual fixou-se em 4,4%, após os 3,4% registados em Março. “No curto e médio prazo, antevê-se uma aceleração da inflação, podendo atingir dois dígitos, dependendo da duração do conflito no Médio Oriente”, alertou.

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