As reservas obrigatórias da banca comercial moçambicana registaram uma redução de 13% em Janeiro, face ao mês anterior, fixando-se em 3 mil milhões de dólares, de acordo com dados divulgados pelo Banco de Moçambique (BdM).
Segundo a Lusa, a queda surge após um pico histórico alcançado em Dezembro de 2024, altura em que as reservas atingiram o equivalente a 3,9 mil milhões de dólares, num contexto marcado por restrições mais apertado de política monetária. Já em Dezembro, os depósitos obrigatórios tinham crescido cerca de 20% em relação ao mês anterior, contrariando uma tendência de descida observada ao longo de parte do ano.
O banco central não apresenta, no mais recente relatório estatístico, justificações detalhadas para a oscilação registada entre Dezembro e Janeiro, numa altura em que o sistema financeiro atravessa ajustamentos decorrentes de alterações nos coeficientes de reservas obrigatórias.
Recorde-se que, no início de 2023, o BdM fixou os coeficientes em 10,5% para passivos em moeda nacional e 11% em moeda estrangeira. Contudo, ao longo do primeiro semestre desse ano, procedeu a sucessivos aumentos, com o objectivo de absorver o excesso de liquidez no sistema bancário e conter pressões inflacionistas. Em Junho de 2023, esses coeficientes atingiram níveis históricos, de 39% em moeda nacional e 39,5% em moeda estrangeira.
Desde finais de 2022, quando o volume de reservas obrigatórias ascendia ao equivalente a 841 milhões de dólares, registou-se um crescimento acumulado próximo de 400% até ao final de 2024.
Face às dificuldades de acesso a divisas no mercado interno, o sector empresarial vinha pressionando o banco central, desde 2024, para aliviar os coeficientes aplicados às reservas em moeda estrangeira. A resposta surgiu a 27 de Janeiro de 2025, quando o Comité de Política Monetária decidiu reduzir esses rácios para 29% em moeda nacional e 29,5% em moeda estrangeira.
Segundo o BdM, a medida visou aumentar a liquidez disponível na economia, com o intuito de apoiar a recuperação da capacidade produtiva e assegurar a oferta de bens e serviços.
A próxima reunião do Comité de Política Monetária está agendada para a próxima segunda-feira, em Maputo, num momento em que os indicadores de liquidez e estabilidade financeira continuam sob monitoria.

