A província de Cabo Delgado registou oito eventos violentos nas duas últimas semanas de Maio, dos quais seis estiveram associados a elementos ligados ao Estado Islâmico, resultando em pelo menos oito mortes, segundo a organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED), citada esta quinta-feira, 4 de Junho, pela Lusa.
De acordo com o relatório da ACLED referente ao período de 18 a 31 de Maio, a insurgência armada na província, que começou em Outubro de 2017, já provocou um total de 6624 mortes, num contexto de persistente instabilidade no norte de Moçambique.
A organização indica que, desde o início do conflito, foram registados 2397 eventos violentos, dos quais 2214 envolveram alegadamente elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM), o grupo activo na região.
Entre os episódios mais recentes, o relatório destaca um ataque com morteiros contra uma posição militar nos arredores de Macomia, ocorrido a 25 de Maio, evidenciando a fragilidade da segurança naquela zona central da província.
A ACLED refere ainda que, nesse período, ocorreram outros incidentes na vila de Macomia, com residentes a atribuírem responsabilidades às forças de segurança, enquanto estas apontam o EIM como autor dos ataques.
Mais a sul, na zona de Chiúre, são reportadas movimentações de insurgentes, cuja permanência na área continua a suscitar incerteza quanto aos seus objectivos estratégicos.
O relatório acrescenta ainda a intensificação de ataques na zona costeira, com registo de pelo menos 12 embarcações sequestradas ao largo de Mocímboa da Praia e Macomia, num cenário que expõe limitações na capacidade de vigilância marítima.
Segundo a ACLED, os insurgentes têm vindo a visar proprietários de embarcações moçambicanas, tendo ocorrido, na noite de 20 de Maio, um episódio em que cinco barcos de pesca foram cercados ao largo de Pangane, no distrito de Macomia.
Após negociações, foi pago um resgate de 60 mil meticais por dois dos barcos, enquanto os restantes três foram apreendidos juntamente com equipamento de pesca, tendo sido possivelmente levados para o rio Messalo.
A província de Cabo Delgado, rica em recursos naturais, incluindo gás, tem sido palco de ataques extremistas desde 5 de Outubro de 2017, quando ocorreu o primeiro ataque armado no distrito de Mocímboa da Praia, dando início a um conflito que continua a afectar a segurança e a mobilidade das populações.

