Enfermeiros Marcham em Maputo e Ameaçam Levar Ordem ao Tribunal • Diário Económico

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Algumas dezenas de enfermeiros marcharam esta quinta-feira, 4 de Junho, pelas ruas de Maputo em protesto contra o atraso na ratificação dos resultados eleitorais da Ordem dos Enfermeiros de Moçambique, exigindo a tomada de posse imediata do bastonário eleito e ameaçando recorrer aos tribunais caso o impasse persista, informou a agência Lusa.

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A manifestação, organizada pela Associação Nacional dos Enfermeiros de Moçambique (ANEMO) e pela Associação das Parteiras de Moçambique (APARMO), decorreu com escolta policial e reuniu participantes munidos de panfletos, vuvuzelas, apitos e cânticos reivindicativos, tendo partido do Ministério da Saúde até à sede da Ordem.

Segundo o presidente da ANEMO, Raul Piloto, os profissionais consideram que o processo eleitoral já produziu um vencedor legítimo e que a ausência de tomada de posse representa um bloqueio injustificado ao funcionamento da instituição.

O dirigente afirmou que a classe se sente obrigada a recorrer a outras vias, incluindo a judicial, caso não haja avanço na formalização do elenco eleito. “Eles já chutaram tudo aquilo que é legalidade. Toda a gente está a ver e, até agora, não está a fazer nada. Em princípio vamos levar ao tribunal para o elenco eleito tomar posse. Não era necessário, mas vamos ter de levar, porque estamos a ver que de forma pacífica não há vontade de isso acontecer”, declarou Raul Piloto durante a marcha.

O representante acrescentou que a situação demonstra, na sua visão, uma desvalorização da vontade expressa pelos enfermeiros nas urnas. “Chegámos até à marcha porque estamos a ver que em Moçambique não basta só ganhar as eleições, parece que é necessário também reivindicar”, afirmou.

Os profissionais recordam que Jeremias Matecateca venceu o segundo escrutínio realizado a 9 de Abril, com cerca de 57% dos votos, depois de um primeiro processo eleitoral ter sido anulado, no qual o mesmo candidato já tinha obtido maioria.

A Ordem dos Enfermeiros chegou a emitir um comunicado a confirmar a vitória provisória, mas a ratificação dos resultados finais e a tomada de posse foram suspensas na sequência de providências cautelares submetidas em tribunal.

Apesar das decisões judiciais em curso, os manifestantes contestam a morosidade do processo e acusam a actual gestão da Ordem de procurar manter-se em funções.

Durante o protesto, o bastonário eleito, Jeremias Matecateca, juntou-se aos profissionais e defendeu a utilização de todos os mecanismos legais para assegurar a transição de liderança. “Vamos usar todos os recursos disponíveis para que os legítimos vencedores possam assumir o trabalho”, afirmou.

A marcha terminou sem incidentes, tendo os organizadores reiterado que poderão intensificar as acções de protesto, incluindo a extensão das reivindicações ao Ministério da Saúde, caso a situação não seja resolvida.

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