O Governo estará no Parlamento esta semana, hoje, dia 5, e amanhã, 6, para responder às perguntas dos deputados sobre a situação política, económica e social do País, avançou a Rádio Moçambique.
Citado pelo órgão de comunicação social, o porta-voz da bancada parlamentar da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), Dias Letela, afirmou que o partido quer saber, entre vários pontos, sobre as medidas adoptadas para a mecanização da agricultura, a promoção da empregabilidade juvenil e a sustentabilidade dos recursos naturais do país.
Por sua vez, Ivandro Massingue, porta-voz do partido Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos), avançou que as perguntas da sua bancada incidem sobre a escassez de divisas no mercado nacional, facto que provoca o encarecimento de produtos e instabilidade económica.
Já o porta-voz da bancada parlamentar da Resistência Nacional de Moçambique (Renamo), Arnaldo Chalaua, explicou que as questões do partido estão centradas no combate ao terrorismo que assola a província de Cabo Delgado desde 2017, bem como na gestão sustentável dos recursos naturais.
Por fim, Judite Macuácua, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), acrescentou que a sua bancada quer esclarecimentos sobre as medidas de contenção da crise de combustíveis e o pagamento da dívida ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
Actualmente, o País debate-se com vários problemas, entre os quais as sucessivas greves dos profissionais de saúde e a falta de combustíveis, factores que causam constrangimentos à sociedade em geral e afectam negativamente o desenvolvimento.
Recentemente, o Governo recomendou a racionalização do consumo de combustíveis e admitiu uma actualização em alta dos preços já no próximo mês de Maio, numa altura em que aumentam as filas nos postos de abastecimento, se agrava a pressão sobre a distribuição e cresce a percepção de instabilidade no mercado.
Em comunicado, o Executivo procurou transmitir uma mensagem dupla: por um lado, assegura que o país continua a dispor de combustíveis; por outro, reconhece que a próxima reposição de preços deverá incorporar custos de importação mais elevados, associados a compras feitas num período de subida das cotações internacionais. Pelo meio, apela a uma mudança de comportamento por parte de cidadãos e empresas, defendendo o recurso a transportes públicos, a contenção no consumo e, sempre que possível, o teletrabalho.
A greve dos profissionais de saúde no País continua sem sinais de resolução, com a classe a exigir ao Governo propostas formais que incluam prazos concretos para o pagamento de subsídios em atraso e para a reposição de condições mínimas de trabalho nas unidades sanitárias.
A paralisação, iniciada a 16 de Janeiro, mantém-se devido à persistente escassez de materiais médico-cirúrgicos, medicamentos e equipamentos essenciais, situação que, segundo os profissionais, compromete seriamente a qualidade da assistência prestada à população.
Em 30 de Março, a APSUSM havia já acusado o Executivo de incumprimento de acordos anteriores, alertando para uma situação considerada “catastrófica” no Serviço Nacional de Saúde, incluindo o registo de 1872 mortes associadas à falta de medicamentos e equipamentos.

